Secretário investiga invasão no Oeste
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terça-feira, 30 de dezembro de 1997
Edna Mendes Foz do Iguaçu 
As 130 famílias de sem-terra que estavam acampadas na divisa entre as fazendas Guará-Oeste e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Santa Maria do Oeste (68 quilômetros a oeste de Guarapuava), ocuparam ontem pela manhã a fazenda Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Elas já haviam ocupado a fazenda em abril do ano passado e acabaram deixando o local depois que três sem-terra, entre eles uma criança de nove anos, foram feridos com tiros disparados por seguranças. Os proprietários da fazenda afirmam que um funcionário foi morto durante a ocupação e que sete estavam desaparecidos até o final da tarde de ontem.
A Secretaria de Segurança Pública aguardava ontem um relatório sobre a invasão da Perpétuo Socorro. O secretário Cândido Martins de Oliveira fez um breve relato da situação para a governadora em exercício Emília Belinati. Martins de Oliveira disse que a situação na área é tensa e que merece cuidados especiais do governo. Ele aguardava pedido da Justiça para deslocar a Polícia Militar para a região.
A fazenda pertence à família Mattos Leão, de Guarapuava. A área tem 980 alqueires e é considerada improdutiva pelo Incra. A dona-de-casa Carolina de Mattos Leão, mulher do médico José de Mattos Leão, um dos proprietários, disse ontem à Folha que durante a ocupação os sem-terra teriam assassinado o administrador da fazenda, que ela não quis dizer o nome. Foi um verdadeiro ataque. Estão espancando e mantendo nossos funcionários como reféns, afirmou.
O coordenador regional do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST), Paulo Pires, disse que a denúncia não é verdadeira e que a ocupação foi pacífica. Ninguém foi morto durante a ocupação, até os pistoleiros (seguranças) da fazenda saíram do local quando as famílias começaram a chegar. Também não estamos fazendo ninguém de refém, garantiu.
Pires disse que a fazenda está sub-júdice e que as famílias decidiram ocupar a área novamente para pressionar o Incra a apressar o assentamento. Os proprietários decidiram dividir a área em outras oito fazendas para evitar a desapropriação. Queremos que o Incra resolva logo essa situação.
O delegado de Pitanga, Ivan Bianchini, que atende também a região de Santa Maria do Oeste, disse que os sem-terra não permitiram que a polícia entrasse na fazenda para verificar se houve homicídio. Ele disse que sete funcionários da fazenda estão desaparecidos. Há a possibilidade de estarem mantendo sete funcionários como reféns, afirmou.
Em depoimento, o caseiro José Feliciano, 24 anos, disse que ouviu tiros e gritos de horror por volta de 4 horas e fugiu com a família pelo mato. (Colaborou Leandro Donatti, de Curitiba)


