Secretário investiga atentado em Foz
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terça-feira, 28 de abril de 1998
Flávio Moura Especial para a Folha 
Ney de SouzaIntenção de matarKadett do auditor Jackson Aluir Corbari foi atingido por cinco tiros; Receita Federal mantém as investigações em sigilo mas admite que o crime pode estar ligado com a ação de contrabandistasO secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, esteve ontem em Foz do Iguaçu para coordenar pessoalmente a estratégia de investigação do atentado contra o auditor Jackson Aluir Corbari, 30 anos. Na noite de sexta-feira, o veículo de Corbari, um Kadett verde escuro, foi atingido por cinco tiros disparados por um Gol branco (a testemunha só conseguiu identificar os dois últimos números das placas, 42). A tentativa de homicídio ocorreu na Avenida República Argentina, na altura do Bosque Guarani, conhecido como minizôo. O auditor saiu ileso.
As investigações estão sendo feitas com sigilo absoluto. Não podemos dar informações sob pena de estarmos ajudando os criminosos, explicou Everardo Maciel, que veio à cidade especialmente por causa do episódio e retornou ontem mesmo a Brasília. O secretário avaliou que ocorrências como estas são gravíssimas e que é praxe da Receita fazer uma investigação cuidadosa. Este crime ofende a autoridade do Estado brasileiro, disse o secretário.
A única pista que o secretário adiantou sobre a estratégia nas investigações é que o crime deve estar relacionado com a ação de contrabandistas. A Polícia Federal está nos dando todo o apoio, assegurou. Jackson Corbari continuará chefiando o serviço aduaneiro da fronteira. Se o transferirmos estaremos fazendo o jogo dos criminosos. Everardo Maciel ressaltou a bravura e coragem do funcionário, que fez questão de continuar na sua função.
O chefe do Instituto de Criminalística de Foz do Iguaçu, Amaury Pereira Rosa, afirma que há indícios de que a pessoa que disparou os cinco tiros com uma pistola 380 tinha a intenção de matar. Mesmo para um profissional, o nível de dificuldade era muito grande, avalia o perito.
Os tiros foram dados no momento que os dois veículos arrancavam na abertura de um semáforo e com o impacto na lataria, os vidros do veículos se estilhaçaram. A única testemunha afirmou que o Gol estava sendo dirigido por um homem louro. Sobre o passageiro, que efetuou os disparos, a testemunha não conseguiu descrever suas características físicas.


