Secretário garante punição a ruralistas
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quarta-feira, 17 de setembro de 1997
Lorena Aubrift Klenk Curitiba 
O secretário da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, refutou ontem as críticas que o governo estaria tratando de forma diferenciada sem-terra e fazendeiros envolvidos em conflitos agrários no Estado. Segundo ele, diferenças técnicas e jurídicas fizeram com que a polícia prendesse 15 sem-terra nos últimos dias, enquanto nenhum dos fazendeiros que participaram do despejo na Fazenda Saudade, em Santa Isabel do Ivaí, foi preso.
O secretário disse que os líderes dos acampamentos desfeitos nos últimos dias foram pegos em flagrante delito, quando a polícia chegou para executar as ordens judiciais de reintegração de posse. Eles se recusaram a cumprir essas ordens, além de estarem armados, afirmou.
Já em Santa Isabel do Ivaí, disse o secretário, a polícia chegou depois que os agressores saíram e não houve flagrante. O episódio ocorreu na madrugada de terça-feira, quando um grupo de homens encapuzados a mando de fazendeiros chegou para despejar os sem-terra. O grupo é acusado de queimar barracas e ferir dois sem-terra.
É uma situação juridicamente desigual, que faz uma diferença técnica muito grande, justificou o secretário. Lembrado do fato de que os fazendeiros apareceram em telejornais assumindo a ação apenas oito horas após, e que o flagrante é válido por 24 horas após o delito, Oliveira tentou explicar: Não sabíamos exatamente a que horas havia acontecido, havia uma série de questões a esclarecer.
Segundo ele, há uma determinação do governador Jaime Lerner para que os responsáveis pela violência em Santa Isabel sejam punidos. O inquérito vai ser formalizado e será encaminhado a juízo para que sejam punidos, afirmou. O secretário disse que está descartada a hipótese de que havia policiais acompanhando os fazendeiros, como afirmam os sem-terra. Está confirmado que isso não é verdade, disse.
Oliveira também reafirmou que o governo vai prosseguir no cumprimento das 42 ordens de reintegração de posse emitidas pela Justiça no Paraná, das quais três cumpridas esta semana.
De acordo com o secretário, os últimos episódios de violência no campo e a ameaça dos sem-terra, de resistência aos despejos não muda a avaliação do governo a respeito do problema agrário no Paraná. Não existe uma situação alarmante e quem diz isso tem o propósito de conturbar.


