Secretário faz apelo à sociedade
Marcos NegriniContatoDetento da Penitenciária Estadual de Maringá mostra cesta feita de jornal ao secretário da JustiçaO secretário estadual da Justiça e da Cidadania, Eduardo da Rocha Virmont, afirmou ontem durante visita à Penitenciária Estadual de Maringá (PEM) que a sociedade ainda tem problemas para receber de volta o detento que cumpriu sua pena e que deseja trabalhar e viver em paz com a família. Virmont disse que confia no trabalho de recuperação de presos realizado pelas penitenciárias do Paraná: Temos um bom quadro de funcionários, com psicólogos e psiquiatras que verificam se o preso tem condições de retornar à sociedade. O nosso sistema é o mais aperfeiçoado do País e, em particular, a Penitenciária Estadual de Maringá é um modelo de bom funcionamento.
Virmont, que tomou posse na sexta-feira e antes era secretário de Cultura, percorreu os corredores, celas e oficinas de trabalhos manuais da PEM, que tem capacidade para abrigar 350 detentos. Hoje (ontem), temos 324. Mas jamais ultrapassamos a nossa capacidade. Em cada cela, temos seis presos com faixa etária, delito, índice de periculosidade e estrutura de personalidade semelhantes, informou o diretor da PEM, Antônio Tadeu Rodrigues.
Pelas grades, Virmont recebeu do detento Benedito Marques, 46 anos, um cartão de boas-vindas, feito à mão na oficina da PEM. O secretário pediu a Benedito que assinasse o cartão. O detento, que já cumpriu quatro dos 18 anos da pena a que foi condenado, assinou, datou e disse ao secretário que a penitenciária de Maringá é um exemplo de trabalho digno com os presos. Aqui é ótimo, aqui recuperamos a nossa dignidade. Mas falta apoio lá fora. Há muito preconceito. A sociedade tem que olhar com mais carinho pra gente, pois temos que trabalhar e temos o direito de viver em paz com nossos familiares, disse.
Virmont respondeu que achou valiosa a declaração do detento. É a verdade. As pessoas, de um modo geral, para não se preocuparem com esse problema, se escondem. É uma espécie de autodefesa. Temos que confiar nos que saem recuperados. Infelizmente, existem alguns que são irrecuperáveis, mas são uma minoria.
O secretário da Justiça declarou ser contra a privatização das penitenciárias e justificou: Porque ninguém gosta de investir nesse setor; quando é notícia, é notícia ruim. Ele acha que setores de presídios de regime semi-abertos poderiam ser privatizados, mas a administração, as penas, o controle devem continuar nas mãos do Estado. O secretário elogiou o projeto de construção do presídio industrial em regime semi-aberto, que será levantado ainda neste ano ao lado da PEM.





