Marcos BorgesAcampamentoA Fazenda Nossa Senhora Aparecida, de 86 alqueires, foi ocupada há um mês por 42 famílias O secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, determinou às polícias Civil e Militar abertura de inquérito, identificação e a prisão de todos os sem-terra envolvidos na queima do carro do arrendatário Homero Palma, da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Alvorada do Sul (68 km ao norte de Londrina), na terça-feira. A fazenda, de 86 alqueires, foi ocupada há um mês por 42 famílias.
Nos últimos dias o clima ficou tenso entre os sem-terra e o arrendatário, com disparos de armas de fogo, troca de acusações e ameaças. Palma conseguiu uma liminar de reintegração de posse da área, com procuração do proprietário da fazenda, Mário Cândido de Matos, de Presidente Prudente (SP). Como os sem-terra não cumpriram a ação, a Justiça determinou o uso de força policial.
O secretário disse que falta somente a elaboração do plano de desocupação da fazenda para retirar os sem-terra da área. ‘‘Recebi há pouco a cópia da ação de reintegração de posse e já solicitei à Polícia Militar que faça o levantamento da área e elabore o plano’’, informou o secretário ontem à tarde. Ele garante que todas as providências foram tomadas para manter a ordem pública em Alvorada do Sul.
O pai do arrendatário, Antônio Palma, disse que Homero não está na cidade. Ele viajou no final da tarde de anteontem com toda a família para outro Estado, mas o pai não revelou o local. ‘‘Homero foi descansar. A tensão, causada pelas constantes provocações dos sem-terra, o fez sair da cidade com medo de que alguma coisa pudesse acontecer a ele e aos filhos’’, disse.
Ontem à tarde, a doméstica Lindaiane Aparecida Lopes, 20 anos, que trabalha para Homero, registrou queixa na delegacia. Ela disse ter sido ameaçada por dois homens armados. A empregada contou que foi parada na rua pelos dois, que queriam saber se ela trabalhava na casa de Homero. Ao receber a confirmação, os homens mostraram um revólver e disseram que seria para o Homero Palma, caso ele não ficasse calado.
Clima tenso Durante toda a noite, o clima na fazenda foi tenso. Os sem-terra ficaram de prontidão em vários pontos da propriedade, esperando por um possível ataque do fazendeiro e de pistoleiros, conforme denunciaram anteontem. De manhã, a estrada que dá acesso ao acampamento foi bloqueada com galhos de árvore.
Os sem-terra disseram que atearam fogo na Brasília de Palma porque ele foi com vários homens armados e atiraram no grupo que gradeava uma plantação de aveia do arrendatário. Também denunciaram que dois homens que estavam em um carro branco e usando máscaras tentaram ‘‘sequestrar’’ duas meninas do acampamento. ‘‘A decisão de queimar o carro foi das mulheres, que se revoltaram com esta atitude do arrendatário’’, disse um sem-terra.
O delegado de Bela Vista do Paraíso, Luiz Carlos Azevedo, esteve ontem à tarde na fazenda para tentar conversar com os sem-terra. Ele teria identificado um dos sem-terra que queimaram o veículo, mas até o final da tarde o nome não tinha sido divulgado.
Preocupados com a violência na região, o juiz e o promotor da comarca de Bela Vista encaminharam ofício ao comando do 15º Batalhão da PM em Rolândia, sugerindo reforço do policiamento preventivo em Alvorada do Sul.

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