O feriado de Tiradentes, no próximo dia 21, será motivo de pouca comemoração este ano para a equipe que trabalha no Centro de Saúde Especial Bárbara Daher. Localizado no Jardim do Sol, Zona Oeste de Londrina, a entidade chega aos 15 anos de atendimento odontológico a portadores de deficiência naquela que talvez seja a pior crise de sua história.
De acordo com a presidente da organização não-governamental (ONG) fundadora do Centro, Gepexcel, a dentista Martha Beatriz, a entidade tem hoje em atendimento mais de 2,7 mil pacientes de Londrina e outros 130 municípios da região. Ela destacou que o centro corre o risco de fechar nos próximos meses em razão das dificuldades financeiras. ''O problema começou quando a Secretaria Municipal de Assistência Social não renovou, em dezembro passado, o convênio firmado conosco, o qual nos repassava mensalmente R$ 2.100 para pagamento de pessoal'', disse, comentando que o motivo teria sido a característica do serviço prestado. ''Disseram-nos que era competência da Saúde, mas esta informou não ter verbas'', lembrou.
O centro também conta com repasses mensais de cerca de R$ 1 mil do Sistema Único de Saúde (SUS), mas o dinheiro não estaria sendo suficiente nem para a compra de materiais, conforme a presidente da Gepexcel. Os sete dentistas que atuam lá trabalham em regime voluntário. ''Pagamos os seis funcionários este mês com dinheiro de rifa de cesta de Páscoa e ainda temos pedido aos familiares dos pacientes que nos ajudem com materiais de limpeza'', explicou, para desabafar em seguida: ''A sociedade civil se organiza, mas, muitas vezes, não tem respaldo do poder público''.
Voluntária há mais de um ano no Barbara Daher, a dentista Patrícia Dures, 36, admitiu que está cada vez mais difícil manter o local só com o recurso do SUS. ''É uma carga emocional muito grande esse atendimento especializado. E sem dinheiro para o básico, só mesmo presenciando para saber o que temos passado aqui nos últimos meses'', contou. A técnica de higiene dental Vilma Neves, 28, concorda. ''Sem contar que ainda fazemos trabalho de orientação junto às famílias que nos procuram'', acrescentou.
Dona de casa e esposa de marido desempregado, Eliza Noeli Molari, 35, ficou apreensiva com a notícia de um possível fechamento. ''Venho de Uraí (Norte Pioneiro) trazer meu filho, que é autista, e não tenho condições de pagar tratamento'', reconheceu. Com o irmão de oito anos vítima de sequelas de meningite, a situação da desempregada Andréia Torvak, 21, não é muito diferente. ''Aqui no centro eles receitam remédios que não fazem mal ao Alan'', disse.
A Folha tentou contato com a secretária municipal de Assistência Social, Maria Luiza Rizotti, mas ela não foi localizada. O secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, informou que o órgão ''não tem obrigação de firmar convênio com o centro, dada a verba do SUS'', mas adiantou que está em estudo um auxílio adicional.

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