O secretário de Segurança Pública do Estado, Cândido Martins de Oliveira, esteve com lideranças comunitárias de Londrina, na tarde de ontem, numa reunião marcada por ‘alfinetadas’ de ambos os lados. A reunião foi realizada na sede da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) com a presença também de toda a cúpula da polícia paranaense.
Martins de Oliveira exigiu respeito e disse que não aceitaria imposições à sua pasta feitas pelo presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Jorge Coimbra, que criticou a forma personalista com que o secretário teria montado o programa ‘Paraná Mais Segurança’, sem ouvir lideranças do interior. Horas antes, em um programa de televisão, Coimbra também havia criticado a indicação do tenente-coronel José Silvio Mazzaloti para comandar o 5º Batalhão da Polícia Militar. Segundo ele, o perfil de Mazzaloti não corresponde ao perfil delineado pela comunidade local, que desejava um policial nascido em Londrina ou com alguma vivência na cidade.
Coimbra respondeu que se sentia feliz com a reunião, em virtude da sinceridade do secretário. ‘‘O doutor Cândido desnudou a situação de penúria do Estado, afirmando que não tem verbas para melhorar a situação de segurança de seu povo.’’
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina, Valter Orsi, amenizou o clima da reunião agradecendo a presença do secretário na cidade e colocando sua entidade à disposição para ajudá-lo no seu programa de segurança. No entanto, rebateu as críticas de Martins de Oliveira, que durante o seu discurso disse que determinados empresários só visam lucros e, de certa forma, são os resposánveis pela pobreza, uma das causas que, na opinião dele, gera a criminalidade no País.
O presidente do Conselho Comunitário, Walter Bittar, lamentou o pouco caso dado à ‘Carta de Londrina’, entregue ao governador Jaime Lerner. Segundo ele, o documento mostrava as necessidades para a segurança da cidade e, ao mesmo tempo, apontava sugestões. ‘‘Pelo que apuramos esta carta foi deixada esquecida em alguma gaveta. Isto representa uma total falta de consideração.’’ Martins de Oliveira se desculpou, mas enfatizou que não havia recebido o documento. A respeito dos planos mostrados pelo secretário, Bittar disse que nada foi acrescentado de novo. ‘‘O doutor Cândido não disse nada a mais do que nós não sabíamos. Apenas nos deixou mais assustados, pois os problemas de segurança continuarão como antes. Até quando, eu não sei’’.
Uma comissão de esposas de PMs também participou da reunião e pediu ao secretário que intercedesse para que os policiais recuperassem a perda salarial registrada desde 96. Cândido Martins prometeu estudar o caso, mas deixou claro que o governo não poderia apresentar nenhuma solução a curto prazo porque não há verba.

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