As secretarias estaduais da Saúde do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul descartam que a epidemia de cólera do Paraná tenha surgido em seus Estados, como afirmou o secretário Armando Raggio, quando surgiram os primeiros casos em Paranaguá. De acordo com o secretário da Saúde do Mato Grosso, Júlio Mueller, há quatro anos o Estado não apontou nenhum registro da doença. Já no Mato Grosso do Sul, a chefia de gabinete informa que o último registro foi na década passada.
O secretário do Mato Grosso, Júlio Mueller, diz ficou surpreso quando soube pela imprensa que o foco da doença seria de um caminhoneiro mato-grossense, que transportou a safra para Paranaguá. ‘‘Muito me estranha que o governo paranaense alegue que a cólera tenha surgido daqui, já que o Estado não apresenta registros da doença desde 1994’’, afirma.
Explicações também são esperadas pela Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul. A chefia de gabinente do Estado vizinho informa que o último caso da doença foi apontado no Estado na década passada.
O diretor de Saúde Ambiental da Secretaria de Saúde do Paraná, Isaías Candói Luiz, afirma que a suposição de Raggio foi baseada em matéria divulgada em jornais que indicavam a ocorrência da doença na região Centro-Oeste. ‘‘A intenção de apontar, que a doença surgiu em algum dos dois Estados, não era para achar um culpado, mas tentar rastrear a origem da doença para estabelecer um controle’’, diz.
Luiz defende-se afirmando que, com o período da safra, a suposição lógica seria que o vibrião viesse pelos caminhoneiros da região Centro-Oeste, onde já se iniciou a exportação do produto. ‘‘Todos os dias chegam dois mil motoristas vindo de diversas regiões do País’’, diz. O diretor acrescenta que muito da safra de fora pode estar sendo escoada por caminhoneiros que possuem a doença endêmica. ‘‘Eles podem ter vindo do Nordeste ou do Norte, onde as ocorrências têm crescido’’, diz.
Dados do Ministério da Saúde indicam que o número de casos de cólera no país cresceu 638% nos primeiros três meses de 1999, em comparação com igual período do ano passado. São 849 pessoas contaminadas pelo vibrião da cólera, contra apenas 133 no primeiro trimestre de 1998. Nos três primeiros meses deste ano, a cólera matou 19 pessoas, contra 29 durante o ano passado inteiro. Em Pernambuco, foram 9 mortes (no ano passado foram 7) e na Paraíba, 6 mortes (mesmo número do ano passado inteiro).
Mas independente do crescimento de registros no Nordeste, o secretário de Mato Grosso tem maior receio com a proliferação que venha do Paraná. Para evitar que a doença entre no Estado, ele pretende montar postos avançados, parando os motoristas oriundos do porto paranaense para distribuir panfletos explicativos. Mesma posição vai ser adotada pelo Mato Grosso do Sul em toda fronteira com o Paraná.

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