Secretário diz que PAI desafogou os hospitais
Lino Ramos
De Londrina
O secretário de Saúde de Londrina, Agajan Der Bedrossian, garantiu que o atendimento hospitalar de urgência e emergência caiu 29,5% em relação ao ano passado, mesmo com o fechamento do pronto-socorro do Hospital Evangélico (HE) aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no dia 26 de dezembro de 99. Bedrossian credita esse índice ao funcionamento do Pronto Atendimento Infantil (PAI), unidade pediátrica municipal que entrou em funcionamento no mês de março do ano passado. Apesar das estatísticas do secretário, o superintendente do Hospital Universitário (HU), Cláudio Camacho Biazin, disse que a situação no hospital está caótica e deve piorar com o fim do verão.
De acordo com Bedrossian, em fevereiro do ano passado, quando havia cinco hospitais atendendo as urgências e emergências pelo SUS, foram registrados 25.490 atendimentos. Em fevereiro deste ano, com apenas quatro hospitais credenciados, ocorreram 17.970 atendimentos. A explicação é que em fevereiro de 99 o PAI não existia, mas no mesmo período deste ano atendeu 5.204 crianças. Outros 2.316 pacientes foram absorvidos pelas unidades básicas de saúde.
É evidente que se o HE mantivesse o atendimento de urgência e emergência, a situação dos hospitais seria mais confortável, observou o secretário. Sobre o descredenciamento do Evangélico pela restrição ao atendimento no pronto-socorro, previsto por lei municipal, Bedrossian garantiu que o hospital foi notificado e multado, porém o descredenciamento total prejudicaria a comunidade.
Nas contas do superintendente do HU, a redução de pacientes no hospital foi de apenas 3,6%. Nos dois primeiros meses deste ano foram 11.251 atendimentos contra 11.665 pacientes no mesmo período de 99. Camacho avaliou que o PAI representou uma queda de 48% no atendimento a crianças, porém agora os pacientes precisam de atendimento especializado. Cláudio Camacho disse ainda que a clientela adulta aumentou 17,5% após o fechamento do pronto-socorro do HE. Isso tem estrangulado o hospital, reclamou. Na terça-feira foram colocadas 30 macas nos corredores. Segundo Camacho, essa nova situação repercute em outros setores do hospital. A internação sofreu um aumento de 4%; os partos aumentaram 36,2% e as cirurgias, 8,5%.
O superintendente da Santa Casa, Fahd Haddad, concordou com os números apresentados pelo secretário de Saúde e avalia que os atendimentos infantis caíram pela metade após a inauguração do PAI, mas reconhece um aumento de 15% nos atendimentos de urgência para adultos. Ele disse que a Santa Casa pleiteia o credenciamento de urgência e emergência junto ao SUS para melhorar a remuneração do pronto-socorro.





