Secretário diz que ocupação é ‘burra’
Lerner critica
MST e diz que
‘‘com eles não
tem conversa’’
Eliane Eme Sato
O chefe da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira, definiu ontem como ‘‘burra e estúpida’’ a ocupação de sete agências do Banestado, no interior do Paraná, pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). ‘‘Isso só faz com que o MST perca ainda mais credibilidade junto à opinião pública’’, disse Oliveira.
Os sem-terra desocuparam no início da noite agências em Pato Branco, Laranjeiras do Sul e Ponta Grossa. Eles, porém, permaneciam na frente dessas agências e pretendiam reocupá-las se o governo não desse uma resposta às suas reinvindicações. As agências de Londrina e de Paranavaí continuavam ocupadas. Os trabalhadores pedem a liberação de R$ 5 milhões do programa Paraná 12 Meses, renovação do convênio de assistência técnica para os assentamentos e a não-privatização do Banestado.
Candido Martins acusa a ocupação de ter pretexto político, organizada pela coordenação nacional do MST. ‘‘Como no Paraná não tem seca, fome, nem motivo para saquear alimentos, eles invadiram os bancos’’, disse Oliveira. Segundo ele, se o MST voltar a ‘‘radicalizar’’, o governo poderá usar força policial.
O governador Jaime Lerner também criticou a ação do MST, e afirmou que ‘‘com eles não têm conversa’’. Lerner se queixou, dizendo que as ocupações ‘‘são uma injustiça’’, e afirmou que o governo estadual já atende, com o programa Paraná 12 Meses, os pequenos agricultores de assentamentos regularizados. ‘‘Agora não vamos entregar os recursos para os sem-terra, para o movimento’’, disse.
Ontem pela manhã, o assessor de Assuntos Fundiários do governo, José Carlos de Araújo Vieira, para dar uma resposta aos sem-terra, tentava saber com o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, se o governo estadual vai fazer novo convênio com a Cooperativa Central de Reforma Agrária, como quer o MST. O convênio, no valor de R$ 950 mil, prevê contratação de 33 agrônomos e veterinários para dar assistência aos assentamentos.
Em contrapartida à assinatura do convênio, disse Vieira, o governo do Estado espera que o MST desocupe 10 áreas produtivas no Paraná. ‘‘Fica difícil negociar porque eles estão inadimplentes para fazer as exigências’’, afirmou Vieira. Quanto à liberação de recursos, o chefe da Casa Civil afirmou que os sem-terra não podem receber tratamento diferenciado dos pequenos agricultores. Uma comissão municipal analisa cada caso e, se aprovado, é encaminhado para a Secretaria Estadual de Agricultura. ‘‘Não é dar o dinheiro de uma hora para outra, como quer o MST’’, disse Oliveira. Segundo ele, não há o que fazer para adiantar a liberação do dinheiro do Programa Paraná 12 Meses, que vai repassar este ano R$ 300 milhões para custeio da safra de pequenos agricultores.

mockup