A ocorrência de um surto de meningite viral em Ponta Grossa, Região Central do Estado, não deve ser motivo para qualquer perturbação no início do período letivo. A garantia foi dada ontem pelo secretário de Estado da Saúde, Armando Raggio, que esteve na cidade para falar sobre o aumento dos casos.
A cada dois dias, somente no município de Ponta Grossa, são registrados em média três novos casos da doença. Em todo o Paraná, somente este ano, foram anotados 168 casos de meningite em geral, sendo 69 da forma viral. A que vem se manifestando em Ponta Grossa, onde até agora estão confirmados pelo menos 49 ocorrências, também é do tipo viral.
O secretário descartou a existência de uma epidemia, lembrando que o vírus causador da meningite é ‘‘episódico’’. Segundo ele, tecnicamente epidemia é a progressão de um surto de doença com rara incidência em determinada região. ‘‘A meningite é uma doença endêmica’’, explicou Raggio. O secretário disse que ela ocorre esporadicamente em todo o planeta, sem a perspectiva de erradicação.
Para Raggio, a meningite viral é uma ‘‘doença controlada’’, cuja progressão de casos, embora lenta, não é interrompida. O controle então é a reação imediata: tão logo ela se manifesta, é feito o diagnóstico preciso. A Secretaria de Saúde alega dispor de meios para saber exatamente a forma, a quantidade e a eventual gravidade dos casos notificados, havendo ainda a possibilidade de, com o agravamento do quadro, o Estado ter meios de intervir, por estar acompanhando a situação de perto.
O secretário também garantiu que não existe qualquer risco de portadores da meningite viral servirem como vetores da doença e ‘‘exportá-la’’ para outras regiões, em vista de ser este um episódio ‘‘regionalizado’’.
Como ainda não existe vacina para esse tipo de meningite, e a Secretaria de Saúde não recomenda o emprego das demais, para as outras formas de meningite - que podem levar a uma falsa idéia de proteção, com consequente descuido dos hábitos de higiene. A recomendação dada aos pais é que insistam exatamente na higiene.
O secretário também justificou sua manifestação sobre a meningite para evitar que pais, preocupados com a disseminação da doença e eventuais riscos de contaminação de seus filhos, fiquem apreensivos com a volta às aulas. ‘‘Quero deixar claro que os pais não precisam temer pela saúde dos filhos, por mandá-los à escola, que é um ambiente sanitariamente correto’’, informou Raggio.
Embora ainda não haja certeza, as autoridades sanitárias do Estado suspeitam que o agente causador do surto de meningite que está superlotando o Hospital da Criança seja a manifestação secundária de uma enterovirose, que se desenvolve a partir da reinfecção do paciente. A criança apresenta uma pequena infecção intestinal, causada por um vírus, que provoca diarréia. Por não manter hábitos de higiene, acaba permitindo a migração do vírus para o trato alimentar, e daí à meninge (a membrana que recobre o cérebro e a medula espinhal).
A esse processo os técnicos da vigilância dão o nome de transmissão fecal-oral. Os diferentes graus de acometimento dos pacientes, com sintomas mais ou menos fortes, decorrem também da condição geral da criança. As mais fortes e com boas condições imunológicas desenvolvem sintomas mais brandos, com leves dores de cabeça, estado levemente febril e diarréia fraca.

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