Secretário diz que irá apurar ligação de PMs com mortes
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de setembro de 2003
Alexandre Palmar<br>Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu Os soldados da Polícia Militar de Foz do Iguaçu envolvidos nas mortes em supostos confrontos podem ser afastados ou remanejados das suas funções. A garantia foi dada ontem, pelo secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. No domingo, a Folha publicou reportagem sobre as marcas de tiros à queima-roupa encontradas nos corpos de quatro pessoas. Segundo levantamento feito no Instituto Médico-Legal, 48 pessoas foram mortas em supostos confrontos com as polícias Militar, Civil, Federal e Guarda Municipal nos últimos três anos. A participação da PM foi em 87,5% delas.
Segundo Delazari, ''existem seríssimos indícios de execução'' nos casos relatados pela Folha. O secretário afirmou que o governo reprime este tipo de atitute. ''Nós vamos tomar medidas administrativas para apurarmos'', garantiu. ''Somos absolutamente contra qualquer atitute da polícia que indique que estariam sendo tomadas decisões em confrontos, de quem quer que seja, bandido ou não.''
O secretário disse que irá solicitar informações do comando da PM e do Ministério Público para checar até que ponto os confrontos foram apurados e quais providências foram tomadas. ''Se for o caso, nós desarquivamos, inclusive, os inquéritos'', ressaltou.
Na reportagem da Folha, ficou constatada a participação inclusive do Grupo de Operações Especiais (GOE) em pelo menos 15 casos de confronto. Delazari disse que irá acionar a PM de Foz para garantir a boa conduta policial.
Os laudos analisados pela reportagem denunciam áreas de chamuscamento, esfumaçamento e tatuagem, provocadas pelo calor do disparo ou depósito de fuligem e pólvora no cadáver evidências de tiro à queima-roupa. A arma mais usada por policiais, o revólver calibre 38, por exemplo, deixa essas marcas quando está de 2,5 a 20 centímetros de distância do alvo.
As contradições levantadas pela Folha e publicadas anteontem envolvem a morte de quatro pessoas. O quinto caso, o de Isael dos Santos, 18 anos, ocorreu no dia 5 de novembro de 2001. Santos e seu suposto cúmplice haviam roubado um posto de combustível. Ele se escondeu em um prédio, invadido por quatro PMs. Em depoimento à Justiça Militar, os soldados disseram que foram recebidos a bala por Santos e revidaram. A necrópsia, porém, revela que ele levou um tiro na região temporal direita (perto da orelha) com área de chamuscamento. Santos recebeu outro tiro, abaixo do ouvido esquerdo.
Apesar da proximidade do tiro, nenhum soldado soube dizer quem acertou Santos, que respondia por porte ilegal de arma e tentativa de furto. Sem uma definição clara do autor do disparo falta, o promotor Renan Gabardo Fava denunciou os policiais por homicídio. Segundo ele, ''o crime foi praticado através de meio que dificultou a defesa da vítima, já que o tiro fatal foi desferido à queima-roupa, após o ofendido ter-se rendido, sem esboçar qualquer reação, aos policiais que contavam com superioridade numérica''. A Justiça Militar julgou que o grupo agiu em legítima defesa.


