Arquivo FolhaFerreira quer
identificar
invasores da
PrefeituraO secretário de Negócios Jurídicos de Londrina, Eduardo Duarte Ferreira, considerou um ‘‘ato de vandalismo’’ a invasão do saguão da Prefeitura por cerca de 30 mototaxistas na última segunda-feira. Ontem, ele iria requisitar imagens de emissoras de tevê e também de jornais que faziam a cobertura no local. O material será entregue à Polícia Civil em Londrina, que deve abrir inquérito. Os mototaxistas identificados poderão ser indiciados em pelo menos dois tipos de crime: ameaça à integridade física do servidor público e perturbação do trabalho - ambos os crimes estão previstos na lei de contravenção penal e podem resultar, aos acusados, em prisão de um a três meses.
Eduardo Ferreira falou à imprensa ontem de manhã em entrevista coletiva no próprio gabinete. Ele disse que estava no prédio da Prefeitura na hora da invasão, percebeu a confusão mas não presenciou o fato pessoalmente. Por isso, afirma, não avaliou na hora a gravidade do problema. À noite, no entanto, quando viu matéria na televisão, disse que ficou ‘‘chocado’’ com a forma de protesto dos manifestantes .
‘‘Os funcionários públicos se sentiram ameaçados e ficaram perplexos com esse ato de vandalismo. Estamos requisitando as imagens do episódio para que sejam identificados os criminosos’’, afirmou o secretário.
Para ele, hoje existem dois grupos bem distintos dentro do movimento pela legalização do mototáxi em Londrina: de um lado, trabalhadores, que estão procurando uma forma de sustentar a família; de outro, ‘‘vândalos’’, que têm interesse apenas em criar confusão. Para o secretário, os usuários do mototáxi, a partir de agora, não terão mais segurança em utilizar o serviço. ‘‘São gangues que estão infiltradas no movimento e que querem depredar o patrimônio público.’’
O secretário afirmou ainda que se houver novo incidente, como o de segunda-feira, o tratamento será de apreensão de moto e prisão em flagrante delito. Ferreira garantiu que o episódio não vai influenciar na avaliação da Secretaria sobre o projeto de lei, aprovado na Câmara, que impossibilita a legalização do mototáxi. ‘‘Vamos analisar criteriosamente o projeto e depois dar um parecer.’’
‘‘Acho que não é dessa forma, com violência, que você consegue as coisas. O fato de invadir uma Prefeitura, da maneira como ocorreu, caracteriza crime. Quem for identificado será indiciado’’, comentou ontem pela manhã o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Wanderci Corral Fernandes. Ele afirmou que, assim que recebesse a representação da Prefeitura, iria determinar a abertura do inquérito.
O projeto de lei que originou a manifestação dos mototaxistas e a invasão na Prefeitura prevê que passarão a ser enquadrados como clandestinos e passíveis de multas todos os meios de transporte de passageiros que explorem o transporte público sem autorização da Companhia Municipal de Urbanismo (Comurb), órgão responsável pelo gerenciamento deste setor em Londrina. Além dos mototáxis, a proposta atinge também proprietários de Kombis e Vans que não estejam cadastradas pela Comurb.
A partir da aprovação na Câmara, a Prefeitura tem 15 dias para sancionar ou não o projeto. Ainda na segunda-feira, a Associação de Mototáxis tentou impedir a votação na Câmara com um mandado de segurança. Mas o juiz da 9ª Vara Cível, Fábio Dalla Vecchia, indeferiu o pedido.

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