Curitiba
O secretário estadual de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, garantiu que continuará cumprindo o ‘calendário’ de desocupações das áreas invadidas no Paraná, obedecendo às ordens de reintegração de posse expedidas pela Justiça. Ele também afirmou que irá determinar a prisão de todos os líderes sem-terra que estiverem acampados nas áreas com reintegração de posse já definida. Os sem-terra estão sendo acusados por invasão de propriedade particular e formação de quadrilha.
Além da ordem de desocupação da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Alvorada do Sul (a 68 km de Londrina), executada na manhã de domingo, o governo do Paraná possui outras 40 ações de reintegração de posse a cumprir. Cerca de 16 destes mandados estão relacionados a fazendas ocupadas na região noroeste, local de maior concentração de famílias sem-terra em situação irregular.
O secretário não disse qual será a próxima área a ser desocupada, nem determinou quando a próxima ação policial deverá acontecer. Sabe-se apenas que, estrategicamente, o governo deverá cumprir primeiro os mandados relacionados às áreas com menor número de invasores. Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública, a tática de agir nos acampamentos menores dá mais agilidade ao processo de desocupação. Nestas áreas, o grau de articulação dos sem-terra costuma ser menor e a resistência oferecida pelos invasores é mais fraca, facilitando a ação policial.
A situação está sendo considerada mais tensa nas ocupações na região central do Estado, próxima aos municípios de Laranjal e Nova Cantu. Nestas regiões, dez fazendas estão invadidas e há conflitos constantes entre os fazendeiros e os sem-terra. A secretaria de Segurança Pública não confirmou, no entanto, se estas áreas serão as próximas a ser desocupadas pela polícia.
No final da semana passada, o governador Jaime Lerner e o secretário de Segurança Pública haviam reunido a imprensa para avisar que não iriam tolerar ‘baderna’ no campo, alertando para o cumprimento das ordens de reintegração de posse nas áreas invadidas. Eles não haviam determinados prazos para que o processo de desocupação fosse iniciado. Até o final da tarde de ontem, o governador - que estava na Suíça quando a desocupação da Fazenda Nossa Senhora Aparecida foi realizada - ainda não havia comentado o assunto.

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