Os moradores da zona norte de Londrina aguardam ansiosos a construção de cinco lagos artificiais na região, transformando fundos de vale em áreas de lazer semelhantes aos quatro reservatórios que formam o Igapó. O projeto antigo, que chegou a ser orçado em R$ 2,5 milhões em 1998 antes de ser engavetado, é tido pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), como uma das principais obras a serem concretizadas durante sua gestão.
A intenção é utilizar as águas do Ribeirão Lindóia, entre o Jardim Paraíso e o Conjunto Habitacional Farid Libos. O primeiro lago seria projetado no vale entre os conjuntos Milton Gavetti e José Belinati. Somente essa obra custaria cerca de R$ 700 mil. Há três anos, o represamento do local foi orçado em R$ 470 mil e tinha até data para ser entregue (21 de setembro de 98). Os recursos viriam da Secretaria do Meio Ambiente (Sema). Em julho daquele ano, quando o projeto foi apresentado à comunidade, a criação dos cinco lagos foi avaliada em R$ 2,5 milhões, incluindo infra-estrutura para caminhadas, corridas e até churrasqueiras. Como não houve repasse do Governo do Estado, a licitação realizada na época foi cancelada e a idéia engavetada.
Atualmente, o projeto está nas mãos de técnicos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e será avaliado pelo secretário de Obras, Aloyisio Crescentini de Freitas. ‘‘Pretendo atualizar-me sobre o projeto. Vamos estudar a implantação dos lagos junto com o Ippul, observando as mudanças do sistema viário da região’’, disse Freitas, que assumiu a secretaria em dezembro.
Mesmo não havendo previsões para iniciar as obras, o prefeito já confirmou à Folha o interesse em transformar o local em um atrativo semelhante ao Igapó. ‘‘Os lagos da Zona Norte vão representar qualidade ambiental para a cidade. O projeto é importante, só que começar agora é inviável, vamos começar quando tivermos condição de tocar. Mas garanto que o primeiro lago vai sair’’, disse Micheleti, lembrando que pretende ainda urbanizar as margens do Igapó 3 e 4.
Antes de iniciar o represamento, a administração pública terá outros problemas para resolver além de falta de verbas: as invasões. Somente no local próximo ao primeiro lago, vivem cerca de 50 famílias sem-teto. ‘‘Para nós seria ruim. Queremos saber detalhes do projeto e não aparece ninguém aqui para passar informações’’, reclamou a diarista Maria Aparecida Lima Mantovani, 37 anos, moradora da área invadida.

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