Secretário descarta aumento de salários
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terça-feira, 12 de agosto de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
Albari RosaNúmerosRamiro: mesmo sem reajustes, média salarial passou de R$ 281,14 em outubro de 1994 para R$ 610,47 em julho deste anoO secretário estadual da Educação, Ramiro Wahrhaftig, disse ontem que não há qualquer perspectiva de reajuste salarial para o magistério este ano. Ele também descartou a possibilidade de implantar a hora-atividade. Talvez isso seja possível no início de o1998, disse. As duas reivindicações são as principais da pauta dos professores, que estão em estado de greve desde o final de julho e têm uma manifestação programada para o próximo dia 29, em Curitiba. As declarações do secretário são a melhor forma de conduzir o magistério a uma greve, reagiu o presidente da APP-Sindicato, Romeu Gomes de Miranda.
Ontem Wahrhaftig percorreu redações de jornais para apresentar estudos que apontam um crescimento na média salarial dos professores estaduais. Segundo esses dados, a média salarial mensal da categoria passou de R$ 281,14 em outubro de 1994 para R$ 610,47 em julho deste ano - uma variação de 117%.
A diferença não reflete diretamente reajustes salariais. O último foi concedido em agosto de 1995. Mas a média foi elevada por progressões na carreira. Em abril de 1996, o governo alterou a tabela de vencimentos dos professores, criando um novo nível salarial para quem tem curso de especialização. A diferença incorpora ainda os avanços no plano de carreira em outubro de 1995 e 1996.
Em relação à hora-atividade - tempo que os professores reivindicam para preparar aulas e se aperfeiçoar -, o secretário disse que a situação financeira do Estado não permite a implantação. Para tirar esses professores da sala de aula precisaríamos contratar 8 mil temporários e isso custaria R$ 3,2 milhões por mês, disse Wahrhaftig, que no início do ano chegou a anunciar a implantação da hora-atividade em agosto.
O presidente da APP-Sindicato disse que a alegação de crise financeira é a desculpa eterna dos governos. Se estivesse falido, o governo não abriria mão de R$ 1 bilhão em receitas com a anistia fiscal concedida a grandes empresas, nem abriria os cofres para a Renault ou gastaria R$ 17 milhões em propaganda e propina para comunicadores, como fez em novembro, disse Miranda.
Segundo ele, o apocalipse pregado por Wahrhaftig deverá reforçar a indignação dos professores e poderá deflagar uma greve por tempo indeterminado. Gostaria de sugerir ao secretário que colocasse na entrada da secretaria as palavras de Dante Alighieri na Divina Comédia: Vós que entrais, perdei toda a esperança, afirmou Miranda.


