O secretário da Junta Militar em Londrina, Gilberto Cardoso, foi afastado ontem da função sob acusação de receber dinheiro para dispensar um jovem do serviço militar. Uma microcâmera de televisão flagrou o momento em que ele pegava R$ 200,00 de um rapaz que não queria servir. O Exército e a Prefeitura de Londrina vão investigar a partir da próxima semana se Cardoso faz parte de um esquema maior de corrupção. Ele é servidor municipal cedido à Junta Militar.
Nas imagens da TV Coroados (afiliada da Rede Globo), veiculadas em rede nacional, o acusado recebe o dinheiro e afirma que seria a única maneira de o jovem se livrar do serviço obrigatório. O denunciante alega que não gostaria de ser convocado por querer se dedicar aos estudos.
Cardoso, funcionário da Secretaria de Governo, trabalhava na Junta Militar desde 1980. ‘‘As imagens são claras, não há como contestar a denúncia’’, disse o secretário de Governo Jorge Coimbra. Ontem também foi determinada a instauração de um processo administrativo para apurar o envolvimento de Cardoso e do atendente Mauro Braguini, que encaminhou o rapaz a uma sala reservada onde aconteceu a entrega do dinheiro. Coimbra disse que a apuração deve demorar alguns meses.
Gilberto Cardoso pode ser exonerado após a comprovação do fato. Para Braguini, empregado da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), o processo é mais simples. Ele pode ser demitido pela empresa por justa causa nos próximos dias.
O caso também chamou a atenção do comando da 15ª Circunscrição do Serviço Militar (CSM), que engloba 19 delegacias de alistamento no Estado. O tenente-coronel Washington D‘Almeida Santana afirmou que serão ouvidos funcionários da delegacia de Londrina (que reúne 22 juntas do Norte do Estado), além de ser feito um levantamento de todas as dispensas ocorridas nos últimos anos. ‘‘Pelo que eu sei, é um caso inédito e deve ser apurado com cautela.’’ O militar estimou em dois meses o prazo de conclusão da sindicância. Os envolvidos também correm o risco de serem processados na Justiça Federal.
No escritório da delegacia de alistamento em Londrina, o clima era de tranquilidade ontem à tarde. A maioria dos jovens desconhecia o episódio. Entre os colegas de trabalho de Cardoso, o clima era de surpresa. ‘‘Só soubemos do caso através da televisão. Ficamos surpresos’’, contou o funcionário da delegacia, Fernando Cesar de Paula.
‘‘Não pagaria um tostão para não ser convocado. Para mim, tanto faz’’, disse o vendedor ambulante Anderson Rodrigues. ‘‘O perigo agora é que quem tem dinheiro se livra, quem não tem...’’, comentou Vinicius Yoma Bueno.
Todos os anos são selecionados 400 alistados para o Tiro de Guerra, cuja carga de atividades é de cerca de cinco horas por dia.

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