Secretário da Segurança
afirma que não houve abuso
Para o secretário de Estado da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, as afirmações de que o governo do Estado tem agido com violência, assim como os números apresentados pelo MST não correspondem à realidade. ‘‘O número mais grave apresentado por eles refere-se às mortes. Só que nenhuma destas mortes foi causada pela polícia. Não houve violência por parte da polícia que tivesse levado à morte de alguém’’, diz.
Segundo o secretário, o último problema de morte de sem-terra envolvendo o governo, aconteceu em março de 93, durante o governo Requião, quando policiais militares foram acusados de ter assassinado o líder sem-terra Diniz Bento da Silva, o Teixeirinha, na região Oeste.
Como fez durante todo o ano passado, o secretário reiterou que todas as desocupações foram pacíficas, mesmo nos casos em que a Polícia Militar atuou. Ele nega o uso de violência mesmo após a apresentação de fitas de vídeo gravadas pelo Serviço Secreto da Polícia Militar e divulgadas, no ano passado, por um policial que se disse revoltado com a brutalidade nessas operações. ‘‘O ato jurídico da desocupação não é feito pela polícia, mas pelo oficial de Justiça. A PM só vai para acompanhar e, por lei, pode chegar até um dia antes para preparar a operação, trancando estradas, revistando as pessoas’’, diz.
Oliveira contestou também o número de 173 trabalhadores presos e as torturas relatadas pelo MST. Para ele, os sem-terra confundem detenção com prisão. Teria ocorrido detenção por porte de arma, resistência ou depredação de propriedade privada. ‘‘Elas foram detidas e, conforme o delito, soltas em seguida.’’