Foz do Iguaçu O secretário executivo do Comitê Interamericano Contra o Terrorismo, da Organização dos Estados Americanos (OEA), Steven Monblatt, disse ontem desconhecer células terroristas na tríplice fronteira, mas fez um apelo aos árabes da região. Em visita a Foz do Iguaçu, pediu para eles evitarem o envio de dinheiro a entidades assistenciais ligadas a grupo terroristas. A recomendação, dita à imprensa, seria transmitida à noite num encontro com líderes da comunidade muçulmana.
Segundo Monblatt, ''em geral'' o dinheiro é remetido ''de boa-fé'', mas aproveitado ''por pessoas com fins não muito bons''. ''O que preocupa mais é a questão do financiamento de atividades de grupos fora do país. A remessa de dinheiro daqui para o exterior, para grupos que poderiam parecer de caridade, mas no fundo estão ligados a grupos terroristas'' como Hezbollah, no Líbano, e o Hamas e a Jihad Islâmica, na Palestina, afirmou o diplomata.
A opinião dele contraria a posição da colônia árabe de Foz, de 12 mil pessoas. Ela sustenta que os recursos são enviados para parentes e casas assistenciais que atendem órfãos e viúvas de vítimas de conflitos no Líbano e nos territórios palestinos. Argumenta ainda que o Hezbollah, por exemplo, é um partido legalizado no Líbano, inclusive com parlamentares, porém é considerado terrorista pelos EUA.
Mas para Monblatt o dinheiro pode ser remetido para organizações independentes como o Crescente Vermelho, Governo do Líbano ou Autoridade Palestina. Questionado se a recomendação poderia soar com uma interferência, o ex-subsecretário antiterrorismo do Departamento de Estado dos Estados Unidos disse que ''a escolha é voluntária. Eles podem seguir o que estão fazendo, mas se o fazem assim vão continuar com o problema''.
As opiniões da comunidade e de Monblat convergiriam sobre as hipotéticas células terroristas na tríplice fronteira. ''Eu não posso constatar a presença de células no sentido que se usa a palavra. Mesmo segundo o Departamento de Estado (dos EUA) não foi constada a presença de nenhuma célula''. Apesar disso, ele confirmou que será realizado um encontro sobre terrorismo em Puerto Iguazú (Argentina), em setembro.
A passagem de Monblatt por Foz atende a um pedido do cartunista Ziraldo Alves Pinto. Os dois são amigos desde a década de 70, quando o diplomata americano servia no Rio de Janeiro. A agenda de ontem previa um jantar com lideranças políticas e empresarias e passeio pelas atrações turísticas de Foz do Iguaçu.

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