O secretário de Estado de Obras, Luiz Caron, declarou ontem que atribui a destruição da Unidade Oficial de Internamento de Londrina (Usoil), o Educandário, à ‘‘extrema agressividade’’ dos adolescentes, e não a uma possível fragilidade da estrutura física do local. Caron veio a Londrina para verificar, in loco, os estragos causados na unidade após a rebelião da última quinta-feira.
  Para reforçar seu argumento, o secretário pediu a um dos pedreiros que já estão atuando na reforma do Educandário que demonstrasse a resistência das paredes da unidade. ‘‘Estão vendo? Em circunstâncias normais é preciso usar um ponteiro de aço para abrir um buraco numa parede como essa. Os meninos que participaram da rebelião tiraram o reboco com as unhas’’, ilustrou. ‘‘O adolescente que vem para cá, hoje, não é mais apenas o cheirador de cola que comete furtos, é um homicida viciado crack, e a droga afeta a auto-censura, faz o menino perder os limites’’, apontou.
  Caron diz ter constatado que as condições físicas do Educandário estavam satisfazendo todas as normas, e descartou a desativação do prédio. ‘‘Não podemos fazer isso, essa obra empregou dinheiro público. O que precisamos é adequar as atividades pedagógicas’’, disse. Ele afirmou que o projeto de readequação física que já estava pronto antes da rebelião será mantido. Somando o custo dessas melhorias com o conserto dos danos causados pelos internos, a obra poderá consumir quase R$ 500 mil. O prazo para conclusão é de 60 dias.
  Segundo a diretora do Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp), Thelma de Oliveira, as adaptações irão incluir a ampliação das paredes do solário, o aumento do número de portas internas, a colocação de mais grades e a cobertura da quadra de esportes. Quanto ao trabalho pedagógico, Thelma informou que a equipe que trabalha diretamente com os adolescentes irá passar um mês e meio fazendo atividades de capacitação.

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