Secretário contesta arranjo contábil
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quarta-feira, 05 de agosto de 1998
Dimitri do Valle 
O secretário de Educação do Paraná, Ramiro Wahrhaftig, contestou ontem o trabalho de especialização de três professores que apontaram que o Estado não destina o mínimo de 25% de sua receita ao setor educacional, como manda a Constituição. Wahrhaftig ficou irritado com os pesquisadores que revelaram a existência de arranjo contábil para as contas do governo serem aprovadas. O estudo abrangeu os balanços entre os anos de 92 a 96.
O secretário da Educação apresentou comparativos que indicaram que o índice de recursos aplicados na manutenção e desenvolvimento do ensino público paranaense saltou de 33,85% em 94 para 48,48% no ano passado. É o Estado que mais está investindo em Educação, garantiu. Ramiro Wahrhaftig disse que o modelo de prestação de contas usado no Paraná é o mesmo seguido pelos demais Estados.
A contabilidade é uma só. Não tem arranjo contábil, afirmou o secretário. Wahrhaftig disse que estava indignado com as informações prestadas pelos professores Mário Sérgio Ferreira de Souza, Silmara Valnie Hykavei e Valdir Izidoro da Silva. O trabalho de especialização dos professores foi apresentado na Faculdade de Ciências Humanas, em Curitiba. No entanto, o secretário direcionou as críticas para o professor Mário Sérgio. Segundo Wahrhaftig, o professor desconhece a legislação e classificou as informações prestadas por ele como tendenciosas equivocadas e de má qualidade.
Mário Sérgio havia afirmado que o procedimento na hora de prestar contas na área educacional é considerar como despesa em educação uma série de gastos que extrapolam os parâmetros para este tipo de investimento, tais como atividades esportivas e culturais. O professor também citou pagamentos de inativos e pensionistas, em detrimento de investimentos na abertura de vagas no ensino básico para crianças de 7 a 14 anos. Ramiro Wahrhaftig disse que antes da entrada em vigor da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), não havia uma definição do que era investimento ou despesa com Educação.
O secretário disse que sempre procurou usar o bom senso na distribuição de recursos. Sobre o pagamento de aposentados e pensionistas, Wahrhaftig afirmou que tinha de quitar a obrigação pois o Estado não tem um instituto de previdência para atender este contigente de dependentes. Ele considerou que investimentos na área cultural e esportiva são necessários, já que fazem parte do desenvolvimento do estudante, assim como o pagamento de transporte e apoio ao ensino superior e supletivo.Arquivo FolhaRecordeO secretário estadual da Educação, Ramiro Wahrhaftig, diz que o Paraná é o Estado que mais está investindo em educaçãoRamiro Wahrhaftig afirma que recursos aplicados na educação do Paraná pularam de 33% em 94 para 48% em 97
A contabilidade é
uma só. Não tem
arranjo contábil,
diz secretário


