O secretário de Educação do Paraná, Ramiro Wahrhaftig, contestou ontem o trabalho de especialização de três professores que apontaram que o Estado não destina o mínimo de 25% de sua receita ao setor educacional, como manda a Constituição. Wahrhaftig ficou irritado com os pesquisadores que revelaram a existência de ‘‘arranjo contábil’’ para as contas do governo serem aprovadas. O estudo abrangeu os balanços entre os anos de 92 a 96.
O secretário da Educação apresentou comparativos que indicaram que o índice de recursos aplicados na manutenção e desenvolvimento do ensino público paranaense saltou de 33,85% em 94 para 48,48% no ano passado. ‘‘É o Estado que mais está investindo em Educação’’, garantiu. Ramiro Wahrhaftig disse que o modelo de prestação de contas usado no Paraná é o mesmo seguido pelos demais Estados.
‘‘A contabilidade é uma só. Não tem arranjo contábil’’, afirmou o secretário. Wahrhaftig disse que estava ‘‘indignado’’ com as informações prestadas pelos professores Mário Sérgio Ferreira de Souza, Silmara Valnie Hykavei e Valdir Izidoro da Silva. O trabalho de especialização dos professores foi apresentado na Faculdade de Ciências Humanas, em Curitiba. No entanto, o secretário direcionou as críticas para o professor Mário Sérgio. Segundo Wahrhaftig, o professor ‘‘desconhece a legislação’’ e classificou as informações prestadas por ele como ‘‘tendenciosas’’ ‘‘equivocadas’’ e de ‘‘má qualidade’’.
Mário Sérgio havia afirmado que o procedimento na hora de prestar contas na área educacional ‘‘é considerar como despesa em educação uma série de gastos que extrapolam os parâmetros para este tipo de investimento, tais como atividades esportivas e culturais’’. O professor também citou pagamentos de inativos e pensionistas, em detrimento de investimentos na abertura de vagas no ensino básico para crianças de 7 a 14 anos. Ramiro Wahrhaftig disse que antes da entrada em vigor da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), não havia uma definição do que era investimento ou despesa com Educação.
O secretário disse que sempre procurou usar o ‘‘bom senso’’ na distribuição de recursos. Sobre o pagamento de aposentados e pensionistas, Wahrhaftig afirmou que tinha de quitar a obrigação pois o Estado não tem um instituto de previdência para atender este contigente de dependentes. Ele considerou que investimentos na área cultural e esportiva são necessários, já que fazem parte do desenvolvimento do estudante, assim como o pagamento de transporte e apoio ao ensino superior e supletivo.Arquivo FolhaRecordeO secretário estadual da Educação, Ramiro Wahrhaftig, diz que o Paraná é o Estado que mais está investindo em educaçãoRamiro Wahrhaftig afirma que recursos aplicados na educação do Paraná pularam de 33% em 94 para 48% em 97
‘‘A contabilidade é
uma só. Não tem
arranjo contábil’’,
diz secretário

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