Secretário confirma terceirização de médicos
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quinta-feira, 09 de maio de 2002
Andréa Lombardo <br>Equipe da Folha 
Curitiba - Mesmo com a polêmica levantada pelo Sindicato dos Médicos do Paraná em torno da terceirização dos profissionais das unidades de saúde 24 horas, a Prefeitura de Curitiba está decidida a manter a proposta. Em entrevista coletiva na tarde de ontem, o secretário municipal de Saúde, Michele Caputo Neto, disse que o novo modelo de gestão deve passar a vigorar em 1º de junho.
Há duas semanas, a Folha publicou, com exclusividade, que os médicos concursados, hoje, lotados nas cinco unidades 24 horas, ficaram descontentes com a medida. O fato foi denunciado pelo Sindicato dos Médicos do Paraná ao Conselho Regional de Medicina e ao Ministério Público. Vereadores da bancada de oposição na Câmara e o Fórum Popular de Saúde que reúne várias entidades também passaram a questionar a legalidade da contratação dos novos profissionais.
Não vamos polemizar com quem não tem argumentação para criticar, nem alimentar esse debate que não tem o menor sentido de estar acontecendo, avisou Caputo. Para ele, as críticas seriam de natureza política e ideológica. O secretário lembrou que o projeto do Sistema Integrado para Regulação do Atendimento da Urgência/Emergência Clínica em Curitiba já foi, inclusive, aprovado pelo Ministério da Saúde.
A União irá repassar uma verba complementar de aproximadamente R$ 400 mil mensais para bancar a contratação dos médicos. Segundo cálculos da prefeitura, os gastos totais das cinco unidades somarão R$ 750 mil. A contrapartida do município, portanto, será em torno de R$ 350 mil.
Os parceiros da prefeitura no gerenciamento das unidades de saúde 24 horas serão o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, o Hospital Cajuru da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e o Hospital Evangélico. Essas instituições é que irão contratar os novos médicos. A previsão é de admitir 250 profissionais em substituição aos 60 médicos concursados que hoje trabalham nas unidades 24 horas.
O Evangélico assumirá as unidades Sítio Cercado e Campo Comprido. O Hospital de Clínicas ficará responsável pelo Boa Vista e Albert Sabin (no bairro Fazendinha) e o Cajuru, por enquanto, assume a unidade do Boqueirão. Em oito meses, passará a responder pela unidade Pinheirinho, que está em construção.
Caputo voltou a afirmar que a mudança no perfil de atendimento vai representar ganhos em resolutividade e reduzir a necessidade de deslocamento para os usuários do sistema de saúde. O convênio, segundo ele, prevê a obrigatoriedade de internamento e de exames complementares pelos hospitais, quando esses procedimentos não puderem ser feitos nas próprias unidades.


