Será assinada hoje, às 14 horas, a ordem de serviço para retirada do agrotóxico depositado na Colônia Penal Agrícola de Tamarana (62 quiômetros ao sul de Londrina). A assinatura será na sede do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), com a presença do secretário estadual do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura, do diretor-presidente da Superintendência de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), Nicolau Kluppel, e autoridades locais.
Segundo informações da presidente da Autarquia de Esporte, Turismo e Meio Ambiente de Tamarana, Maria Aparecida Santini Zanatta, o material depositado na área será embalado e transportado pela empresa WPA Engenharia, de São Bernardo do Campo (SP). Serão necessárias cerca de 60 contêineres para levar as cerca de 1,2 mil toneladas de agrotóxico, que serão incinerados pela Baher em Belford Roxo, no Rio de Janeiro.
Para facilitar o trabalho, a prefeitura da cidade fez readequações na estrada de acesso à Colônia Penal, com aproximadamente 1.500 metros. ‘‘A estrada não vinha tendo manutenção justamente para que o acesso ao local do depósito fosse dificultado’’, comenta Maria Zanatta. Nas proximidades dos barracões foi aberto um pátio para manobra dos veículos.
O prefeito de Tamarana, Édison Siena, adianta que após a retirada do lixo tóxico e se houver condições de uso, irá solicitar a instalação de uma escola agrícola na área. ‘‘Tudo vai depender de perícias que serão feitas após a retirada do piso e do reboco das paredes. Já conversei com técnicos que me disseram que o local não poderá ser usado por 25 anos’’, comenta.
Os galpões construídos, a princípio, para abrigar uma Colônia Penal Agrícola passou a ser utilizado como depósito de agrotóxicos em 87. A medida foi adotada como solução temporária para solucionar um problema que atingia todo o Estado. O principal produto armazenado na área é o BHC, que foi recolhido pela Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento nos anos 70 e 80. O agrotóxico é fabricado à base de organofosforados que, em contato com o meio ambiente, pode causar contaminação.
O engenheiro químico Miguel Spohr, responsável pela área de meio ambiente da Bayer, havia informado, por ocasião da assinatura do contrato para a incineração do produto, mês passado, que todo o trajeto vai ser acompanhado por técnicos treinados, funcionários do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Suderhsa.
A retirada total do produto deve ser feita num prazo de 90 dias. A previsão para a incineração é de nove meses. O trabalho de transporte e incineração estão orçados em R$ 2,4 milhões. O governo do estado vai investir R$ 1,7 milhão (70%) e o Sindicato Nacional das Indústrias de Agrotóxicos, R$ 700 mil (30%).Arquivo FolhaAs cerca de 1,2 mil toneladas de agrotóxico depositadas em TamaranaBenê Bianchi

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