O secretário estadual de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, culpou o solo heterogêneo e as chuvas pelas rachaduras identificadas na obra do viaduto da PR-445 com a Avenida Dez de Dezembro, na zona sul de Londrina. A afirmação foi feita na manhã de ontem, durante visita de inspeção à obra. No último sábado, a Justiça determinou a paralisação dos trabalhos no local, já que haveria dúvidas quanto à segurança e à solidez da estrutura.
Segundo Richa Filho, a cidade sofreu um regime de chuvas diferenciado, com volume muito acima do normal. "A água é o maior inimigo da engenharia. O peso da terra encharcada ficou acima do projetado", afirmou, mesmo sabendo que as trincas apareceram em 2014, muito antes das chuvas registradas em janeiro desse ano. Projetos estruturais, em geral, preveem a saturação do solo pelas águas pluviais.
Questionado sobre as mudanças em relação à obra executada e ao projeto licitado, Richa Filho afirmou que foram "adaptações necessárias solicitadas pelos próprios moradores". "Houve uma conversa com pessoas e comerciantes do entorno e o entendimento de que era preciso fazê-las". Ele garantiu que as modificações não acarretaram prejuízo algum ao governo.
O secretário assegurou ainda que o plano de monitoramento da obra, solicitado pela Justiça, está sendo elaborado e executado por profissionais contratados pela construtora e pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR). "Em 10 dias o relatório estará pronto", garantiu. Segundo ele, o documento descartará riscos à população. "Foram feitas ações para acabar com todos os problemas", explicou. Richa Filho ressaltou que foi implantado um bloco de concreto interligando os pilares de sustentação do viaduto, além de estruturas adicionais.
Sobre a suspensão dos trabalhos no local, ele esclareceu que apenas as obras do muro do aterro que dá acesso ao viaduto estão paralisadas. "A construção do viaduto continua e deve ser entregue em maio".
O engenheiro civil Mário Ribas, da construtora Sanches Tripoloni, responsável pela obra, garantiu que o concreto de gravidade utilizado no local não representou prejuízo algum ao governo e nem à segurança da construção. O questionamento havia sido feito no ofício elaborado pelo Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal). Segundo ele, a cortina de concreto possui juntas de 5 em 5 metros e distribui o peso no solo, a exemplo dos gabiões, que são estruturas armadas drenantes feitas com malhas de fios de aço e preenchidas com pedras. Ele afirmou ainda que mesmo que toda a parede de concreto rachasse, o muro permaneceria com a sustentação adequada.
Outra modificação realizada pela construtora à pedido do DER é o comprimento do viaduto, que antes deveria ter 40 metros e hoje possui 100 metros. "As modificações realizadas foram para melhor, para garantir a mobilidade das pessoas e manter a visibilidade do comércio que fica próximo à obra", explicou.
A PR-445 terá 22 km duplicados no total, com 11 viadutos e trincheiras. Dos R$ 137 milhões investidos para isso, R$ 4,7 milhões foram destinados somente a este viaduto. O DER-PR estima que cerca de 20 mil veículos passem por dia entre Londrina e Cambé. Sobre os quase 80 km que ligam Londrina a Mauá da Serra, ainda não há definição do governo para a duplicação do trecho.

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