Em uma visita inesperada a Londrina, o secretário de Estado de Segurança Pública, Luis Fernando Delazari, afirmou que não há aumento da criminalidade na cidade, e que a situação local da violência é estável. Ele se reuniu, no início da tarde de ontem, com representantes dos conselhos de segurança, polícias Militar e Civil e Associação Comercial e Industrial (Acil). Depois de 245 dias sem visitar o município, o secretário defendeu que alguns fatos foram superexplorados pela imprensa, e que o Estado não está inerte diante dos problemas. Hoje ele participar de novas reuniões na cidade.
Segundo Delazari, a visita tem o objetivo de retomar o projeto de contato com as lideranças locais. ''Londrina tem recebido uma atenção muito grande do governo do Estado, inclusive os projetos estão sendo lançados aqui, como por exemplo a Companhia Independente Operacional, criada exclusivamente para operações policiais (a ser implantada na Zona Norte).'' O secretário ressaltou ainda que atualmente Londrina tem 1.020 policiais, ''que é o maior número da história da cidade'', além de 170 novos policiais sendo treinados. ''Também estamos realizando concurso para delegado, investigador, perito criminal, enfim, o Estado está enfrentando este problema - que é um problema nacional - com muita disposição.''
Para Delazari, ''a sensação de insegurança não tem nada a ver com segurança''. E defendeu sua tese com números: ''Em 2005 tivemos, até o dia 11 de abril, 47 homicídios. Em 2006 este número caiu para 36 homicídios e em 2007, 21 homicídios. É uma queda de quase 60% em dois anos'', argumentou. Porém, levantamento paralelo feito pela Folha de Londrina, com base nos fatos noticiados a partir de informações policiais, mostram que este ano já aconteceram 25 homicídios.
Questionado sobre os desencontros de dados - alguns, inclusive, mostrando que houve aumento nos furtos e roubos - o secretário disse que há levantamentos equivocados. ''Trabalhamos com os índices da polícia, que são números oficiais e que têm apuração científica. Estes números demonstram que alguns crimes têm uma pequena subida e outros uma pequena descida, mas a situação é bastante estável, não há uma explosão da criminalidade'', reforçou, para afirmar que houve um aumento e uma melhoria nos registros policiais, que antes eram feitos isoladamente pelas poilícias militar e civil. ''O que aconteceu foi um aumento dos registros, mas não aumento dos crimes. São duas coisas diferentes.''
O presidente do Conselho de Segurança da Zona Sul, José Carlos Acorsi, disse que ficou satisfeito com a notícia que vai haver um aumento no efetivo policial, mas argumentou que os novos policias ainda estão aprendendo a trabalhar e que gostaria de ouvir que haverá mais policiais diretamente nas ruas. ''A criminalidade aumenta sim, e a tendência é piorar.''
Para o presidente da Acil, Rubens Augusto Rapchan, o números apresentados pelo secretário são verdadeiros, mas lembrou que muita gente hoje em dia não registra mais Boletim de Ocorrência, por não acreditar na ação policial. ''Ligam mais para as entidades, como nós, do que para a própria polícia'', argumentou.

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