Secretário adia decisão sobre a UEL
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2001
Emerson Dias<bR>De Londrina 
O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, não se pronunciou ontem, em reunião com representantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), sobre o pedido feito pelo Ministério Público para intervenção na instituição, em greve há 96 dias. Apesar da presença de membros do Conselho de Administração e do reitor Pedro Gordan, Wahrhaftig diz que espera para os próximos dias um ''esclarecimento oficial da reitoria'' para depois se pronunciar a respeito. Enquanto o governo retardava a discussão sobre a paralisação das universidades, o comando de greve comemorava a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que notificou o governo do Paraná por não prever reposição salarial no orçamento do ano que vem.
Gordan e os conselheiros foram a Curitiba para explicar a situação da UEL, as condições de atendimento do Hospital Universitário (HU) e os motivos que provocaram a suspensão do vestibular, além de evitar qualquer espécie de intervenção do Estado (sugerida no ofício do promotor de Justiça em Londrina, Bruno Gallatti). A reunião foi a portas fechadas e não surtiu o efeito esperado. Em nota divulgada na tarde de ontem, o secretário informou que ''vai solicitar oficialmente à reitoria esclarecimentos sobre as considerações do promotor''. A nota diz ainda que ''tão logo receba a resposta, o secretário vai se pronunciar a respeito''.
Para o representante do comando de greve em Londrina, professor Kennedy Piau, a atitude foi uma ''demonstração clara de menosprezo'' à situação das universidades. ''Isso sem contar com a possibilidade de haver intervenção, coisa que acontecia somente na ditadura. Felizmente tivemos boas notícias da Justiça'', disse Piau, referindo-se à decisão do STF de notificar 20 Estados por apresentarem previsão orçamentária sem a reposição de perdas salariais (veja reportagem na página 4 do Primeiro Caderno) e também a decisão do juiz da 3 Vara Cível de Londrina, Vitor Roberto Silva, que negou o pedido de liminar de estudantes de cursinho contra a suspensão do vestibular. O juiz entendeu que o Conselho Universitário tem competência para decidir sobre o assunto e fez isso avaliando a real situação da greve no ensino superior. ''Das 59 universidades estaduais em greve, 27 adiaram o concurso por meio do conselho. A UEL não está numa situação isolada'', explicou Piau.
O comando de greve iniciou ontem contato com diversas organizações nacionais, como a Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior (Andes), na tentativa de mobilizar a população. Também foi contactada a Comissão de Educação do Congresso Nacional, grupo que acompanhou as negociações nas universidades federais.


