Secretarias cortam custeio pela metade
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de outubro de 1997
Guilherme Pupo 
Curitiba
Fotos: Albari Rosa
ApertoGionédis, secretário da Fazenda do Paraná (foto de cima): Temos muita coisa para enxugar. É preciso exigir do serviço público que trabalhe com a estrutura de uma empresa privada. Oliveira, secretário de administração de Goiás (foto de baixo): alto nível de comprometimento da receita com salários impede a aplicação de recursos em saúde e segurança pública
A redução em 50% dos gastos com custeio no governo tem levado as secretarias estaduais a eleger prioridades no pagamento de contas. O corte nas despesas provocou ontem uma situação inédita: o telefone geral do Teatro Guaíra (322-2628) ficou desligado ontem no período da manhã. Em uma consulta informal à Telepar, a informação era de que a linha estava desligada por falta de pagamento.
Problemas como esse podem ser constatados nos vários órgãos do Estado. Na Secretaria Estadual de Educação, 137 imóveis locados em Curitiba e no Interior estão com os aluguéis atrasados há quatro meses (desde junho).
A dívida com a locação de prédios para escolas, núcleos de ensino e centros de estudos supletivos já soma R$ 1,6 milhão - o custo é de R$ 417 mil por mês. É o velho problema de caixa do governo, comenta o ouvidor da Secretaria de Educação, Laureni Teixeira.
Nas delegacias de Polícia Civil e prédios alugados para a Secretaria de Segurança, o problema é o mesmo. Segundo informações de funcionários do setor financeiro, o aluguel de vários imóveis já está atrasado há pelo menos dois meses.
No Teatro Guaíra, a assessoria de imprensa alegou que o corte no telefone tinha ocorrido por um problema técnico. O diretor do teatro, Constantino Viaro, não foi localizado até o fechamento desta edição para comentar o assunto.
Cortes - A Secretaria Estadual da Fazenda determinou a redução pela metade dos gastos com custeio em todas as secretarias estaduais. As verbas mensais para as contas de luz, água, telefone, aluguel, material de expediente, viagens e outros itens passaram de R$ 50 milhões para R$ 25 milhões.
Temos muita coisa para enxugar. É preciso exigir do serviço público que trabalhe com a estrutura de uma empresa privada, disse o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis. Segundo ele, cada secretário tem trabalhado de forma independente para definir as prioridades com os gastos e os cortes necessários. O governo tem procurado atacar a causa do problema, que é a baixa arrecadação, e o efeito, que é o gasto público, mas cada secretário tem que avaliar os seus parâmetros de gasto, diz Gionédis.


