Secretaria vai formar intérpretes
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quinta-feira, 12 de março de 1998
Anna Camanducaia 
Marcelo AlmeidaLinguagem de sinais ajuda a professora Lilian Ramos a entender melhor a filha Fernanda: Hoje, ela se solta maisA Secretaria de Estado da Educação formará 23 intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) - os primeiros do Paraná - até o mês que vem. A primeira fase do curso ocorrerá de 16 a 20 de março, e a segunda, de 13 a 17 de abril, no Centro de Treinamento do Magistério do Paraná (Cetepar). Os participantes foram selecionados na semana passada.
O curso será gratuito, mas os formados terão que atender à secretaria gratuitamente, quando for necessário. Até agora, os intérpretes para seminários e outros eventos vinham do Rio de Janeiro. Precisamos ter gente no Estado para atender aos deficientes auditivos porque, mesmo fazendo a leitura labial, eles só conseguem entender de 15% a 20% do que é dito numa palestra, diz Veralucia Carvalho, do departamento de Educação Especial da secretaria.
No currículo, estão temas como História dos Surdos e das Línguas de Sinais, Princípios da Linguagem e da Comunicação, Aspectos da Língua de Sinais e Diferença entre a Libras e o Português, Ética, e Laboratório de Tradução e Interpretação.
A secretaria está aumentando o investimento na Libras desde que a língua foi reconhecida com a aprovação da Lei 307/97, do deputado estadual Emerson Nerone (PSN), dia 2 de dezembro passado. Neste ano, foram oferecidos cursos de Libras para professores e alunos de Ponta Grossa e Foz do Iguaçu. Hoje, é o último dia dos cursos em Maringá e Guarapuava. Os próximos serão em Curitiba e Londrina. Com isso, as escolas poderão usar a Libras nas aulas, diz Veralucia.
A Libras também está ajudando dentro de casa. A pedagoga Joselita Manera e o marido dela, o securitário Osni Manera, têm hoje um bom relacionamento com o filho Vinícius, de 12 anos. Ele aprendeu a Libras e ensina para mim, meu marido e as irmãs mais novas. Por causa disso, Vinícius consegue se comunicar bem com todo mundo e não precisamos mais ficar restritos à família por causa dele, diz Joselita. Antes tínhamos que criar sinais, mas ele só conseguia se comunicar com a gente, diz Joselita. Atualmente, Vinícius faz a 2ª série numa escola regular, além de estar num centro especial.
A Libras também ajuda a professora Lilian Ramos a entender melhor a filha Fernanda da Silveira, de 13 anos. Tinha dificuldade para entendê-la, pois ela não falava e não usava o gestual. Hoje, ela se solta mais, diz. Por causa da filha, Lilian fez um curso para trabalhar com deficientes auditivos e atua na área há dez anos.
A fonoaudióloga Ângela Guimarães, especialista em avaliação auditiva e reabilitação de deficientes, diz que as mães devem encaminhar a criança ao médico logo que percebam o problema, que pode ser identificado a partir dos sete meses. Depois de avaliação, os cuidados que as mães devem ter são falar de frente para a criança para que ela faça a leitura dos lábios e da face, nunca isolá-la, colocar o aparelho auditivo, encaixá-la na escola regular e, mais tarde, num curso profissionalizante.


