A Secretaria de Obras de Londrina pretende iniciar esta semana a destruição da transposição entre os Jardins Maria Celina e Barcelona (zona norte). A passagem, improvisada pelos moradores sobre o ribeirão Lindóia, é 'acusada' de afetar o meio ambiente. Segundo laudo do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o aterro assoreia o leito do ribeirão, prejudica a fauna aquática, a vegetação do local e coloca em risco os motoristas que trafegam pela via.
Com base nesse diagnóstico, o promotor de Defesa do Meio Ambiente, Cláudio Esteves, pediu à prefeitura que destruísse a passagem há cerca de um mês. ''Trata-se de um crime ambiental e nossa função é providenciar a correção o mais rápido possível'', explicou Esteves, que, a exemplo da polícia, instaurou procedimento para descobrir o autor da obra.
De acordo com o coordenador técnico da Secretaria, Joaquim Carlos Wargha, o local é de difícil acesso para caminhões e máquinas pesadas, por isso será preciso aguardar uma trégua das chuvas. A ordem é retirar a terra, os tubos de concreto e o lixo acumulado. ''Há vários pontos em Londrina com a mesma dificuldade de trânsito, mas falta dinheiro para construir pontes ou aterros'', alegou Wargha. Ele acredita que no caso do ribeirão Lindóia uma ponte custaria aproximadamente R$ 800 mil.
Assim como os moradores da redondeza, o eletrotécnico Edgar Cesar Silva Carvalho é contra o fim da transposição. Para ele, a passagem siginifica uma economia de tempo e dinheiro. ''Se o acesso não existisse, gastaria 45 minutos para chegar à casa da minha mãe. Com ele, não levo mais que cinco'', justificou. Ainda segundo ele, o local é a única ligação entre os bairros daquela região e por ele passam entre 40 e 50 veículos por dia. ''Se a obra é ilegal e tem que ser destruída, a prefeitura deveria vir até aqui encontrar uma solução com os moradores.''
Para o presidente da ONG Associação de Recicladores de Londrina (ARL), Braz Brandão, o fim da passagem vai trazer transtornos ao trabalho. De acordo com ele, algumas das sete mulheres que coletam e separam o material reciclável moram no Maria Celina e teriam que atravessar o ribeirão para chegar ao centro de triagem. ''Esse pessoal vai ter que acordar às 5 horas para chegar aqui às 7 horas.''

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