Secretária tenta reaver filho no Japão
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quarta-feira, 05 de maio de 1999
Silvana Leão 
Uma visita ao pai no Japão, que deveria durar apenas três meses, já está completando um ano e oito meses e levando a mãe de Lucas, de 5 anos, ao desespero. Este é o drama vivido pela secretária Ana Paula Dias Colonheis, de Londrina, que está tentando levantar recursos para buscar o filho do outro lado do mundo.
Ana Paula separou-se de Wagner Pallisser de Almeida logo depois que Lucas nasceu. Ainda no Brasil, Wagner se casou com uma descendente de japoneses e foi ao Japão trabalhar como operário em uma fábrica de componentes eletrônicos. Depois de um ano morando naquele país, ele pediu a Ana Paula para que o garoto acompanhasse a avó paterna na viagem que faria ao Japão.
Álbum de famíliaA mãe Ana Paula com o advogado Marcelo Leal (topo da página); e o garoto Lucas (acima)Ana Paula aceitou com a condição de que Lucas voltasse dentro de três meses (ele embarcou com uma autorização do Juizado de Menores estabelecendo a data do retorno). Pouco antes de vencer o prazo, o ex-marido ligou pedindo permissão para que o filho permanecesse mais sete meses lá, até que nascesse o filho que a atual mulher dele estava esperando.
Ele argumentou que o Lucas não estava aceitando a gravidez e, se ficasse lá até o nascimento do bebê, seria melhor, contou Ana Paula, que na época estava diante da possibilidade de ter que se mudar de Londrina e acabou aceitando o pedido do ex-marido. Assim que venceu o prazo combinado, Wagner ligou dizendo que não tinha condições financeiras de trazer o garoto. Ele não me deu nenhuma esperança, deixou tudo no ar, lembra a secretária, que tem outra filha, Amanda, de 8 anos.
Ana Paula resolveu, então, tomar as medidas judiciais cabíveis. Ela entrou, em setembro do ano passado, com uma ação de busca e apreensão de menor. Seu advogado, Marcelo Leal, também entrou com pedido de liminar para que a criança fosse trazida o mais rápido possível e enviou, no início de abril, uma carta rogatória para o Ministério das Relações Exteriores. Agora, a embaixada brasileira deve se encarregar de remetê-la para a Justiça japonesa.
Fomos informados que o Japão pode criar dificuldades para cumprir a carta. Além disso, aquele país não tem tratado de reciprocidade com o Brasil na aceitação de Justiça gratuita. Por isso, os japoneses não bancariam as custas processuais e nem a volta do Lucas para o Brasil, explicou o advogado. Leal entrou em contato com a Associação de Imigrantes do Brasil (Asibras) para ver se consegue as passagens para que ele e sua cliente pudessem ir para o Japão dar cumprimento à carta rogatória e, na sequência, trazer o garoto de volta.
O advogado informou que tão logo tenha a confirmação de que a carta foi recebida no Japão e os recursos para as passagens sejam confirmados, pretende marcar a viagem que, se tudo der certo, deve acontecer ainda este mês. O problema é que a Ana Paula não tem recursos e teríamos que encontrar uma forma de nos mantermos lá no Japão durante os dias que fossem necessários.
A ida ao Japão também não garante um final feliz para o caso. Marcelo Leal não esconde o receio de, mesmo que a viagem seja viabilizada, não conseguir fazer cumprir a carta rogatória. Só que nós temos que tentar. Nossa ida para lá é fundamental.


