Secretária quer reduzir despesas em creches
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A secretária de Educação de Londrina, Carmem Sposti, informou que estuda mudanças no modelo de atendimento das creches para tentar reduzir o déficit de vagas. Em reportagem publicada ontem, a Folha mostrou que um levantamento feito pelos Conselhos Tutelares de Londrina apontou que 4,3 mil crianças de 0 a 6 anos estão nas listas de espera das 75 creches do município.
Carmem não confirmou o número porque ainda aguarda retorno das instituições de educação infantil, que devem enviar as listas na próxima semana. Ela acredita, contudo, que os dados oficiais ''não devem destoar muito'' daquele fornecido pelos conselheiros. Diante da gravidade do problema, a secretária disse que uma solução viável seria reduzir os custos do atendimento nas creches para ampliar o número de crianças atendidas.
''Não dá para universalizar a educação infantil num modelo em que as creches dão tudo: fraldas, produtos de higiene, atendimento das 7 da manhã às 7 da noite. Do modo como está, eu não tenho suporte financeiro para ampliar as vagas'', explicou. Carmem acrescentou que o Município também tem grandes gastos com recursos humanos, citando que, para cada oito crianças de berçário, são empregadas hoje duas professoras. ''Poderíamos ter uma professora e outro profissional para o serviço de apoio. Quanto ao horário de atendimento, penso até em uma redução. Será que 8 horas já não ajudaria bastante as mães?'', questionou.
A secretária afirmou que já está discutindo as propostas com diretoras das creches municipais, mas não acredita que as mudanças possam ser implementadas ainda este ano. ''Este seria um ano para formatar a idéia. É difícil explicar para as mães que o atendimento será reduzido, porque as famílias já se estruturaram para o modelo atual. Não queremos perder qualidade, mas repartir mais os recursos disponíveis'', concluiu.
Questionada sobre a possibilidade de construir mais creches, Carmem declarou que o Município não dispõe de recursos. O orçamento da Educação passou de R$ 5 milhões em 2002 para R$12 milhões no ano passado, mas, segundo a secretária, os custos da educação infantil também sofreram acréscimo no período. A ''esperança'', agora, está nos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), mas não há nenhum repasse programado.


