Mário CesarEscolhaMariângela não quer voltar para a sala de aula: ‘É preciso dar direito de opção para os professores’ A Secretaria Municipal de Educação vai cadastrar os cerca de 400 professores que estão trabalhando em serviços burocráticos da Prefeitura ou até mesmo cedidos para outras instituições, como Ilece (Instituto Londrinense de Educação à Criança Excepcional). O objetivo do trabalho é trazer de volta para a sala de aula o maior número possível destes servidores. O levantamento, segundo o secretário de Educação do Município, José Dorival Peres, deve estar concluído até o final de dezembro. Com o remanejamento, a Prefeitura poderá descartar a realização de um concurso para preencher vagas no magistério para o ano que vem.
O assunto foi discutido ontem pela manhã com professores que trabalham em outras secretarias municipais ou instituições. Anteontem à tarde, a situação foi colocada para as funcionárias da Secretaria de Educação. Dorival Peres lembra que o Município conta com 2.200 professores - incluindo os distritos rurais. Mas 408 não estão exercendo a regência de classe.
Peres acredita que uma decisão do Supremo Tribunal Federal possa se tornar um incentivo para que os professores afastados do cargo voltem a lecionar em uma das classes de 1ª a 4ª série do 1º grau. O período de trabalho com serviço burocrático não conta para a aposentadoria especial aos 25 anos - direito reservado aos professores. Assim, o servidor que atuou 10 anos na sala de aula e outros 15 em secretarias, por exemplo, não pode se aposentar com 25 anos. Ele terá que esperar mais cinco anos para parar de trabalhar. ‘‘Há um entendimento, por parte do tribunal, que o exercício do magistério se dá em sala de aula’’, afirma Peres.
O secretário municipal de Educação conta que tramitam no Tribunal de Contas do Paraná 12 processos contra professores da Prefeitura de Londrina que se aposentaram recentemente, sem que o tempo de serviço burocrático tenha sido descontado. Conforme a decisão do TC, estes servidores terão que retornar ao magistério para cumprir o perído de 30 anos.
Peres explica que a Secretaria de Educação entrou com pedido junto ao TC, há alguns anos, para que os professores municipais tenham o mesmo direito que os estaduais. ‘‘Os professores estaduais que retornaram às salas de aula não tiveram descontado o tempo de afastamento no processo da aposentadoria especial’’, explica o secretário.
Mesmo correndo o risco de perder a aposentadoria especial, Mariângela de Souza Prata Bianchini, 30 anos, prefere continuar trabalhando na Divisão de Assistência Escolar da Secretaria Municipal de Educação, cargo que ocupa há dois anos. Ela começou na Prefeitura há seis anos e, inicialmente, trabalhou como regente de sala durante quatro anos. ‘‘Quando a gente sai da escola e vai trabalhar na secretaria a gente cresce, tem uma visão maior. Antes a gente tinha a visão da sala de aula e agora precisa trabalhar com mais de 100 escolas’’, justifica Mariângela.
Ela conta que na secretaria é obrigada a ler mais sobre diversos assuntos. ‘‘A gente toma decisão e dá opinião. É um degrau que sobe’’, afirma a professora. ‘‘É claro que na escola a gente cresce. Mas é um crescimento dentro da sala de aula.’’
Na opinião de Mariângela Bianchini, a decisão do Supremo Tribunal Federal ‘‘é de cima para baixo’’. ‘‘Eu só espero agora que seja dado o direito de opção para os professores que quiserem voltar para sala de aula e para os que não quiserem retornar.’’

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