Secretaria nega que haja doutrinação
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segunda-feira, 24 de março de 1997
Da Sucursal 
A Secretaria Estadual da Educação aguarda uma definição do Ministério da Educação, que está revendo a questão do ensino religioso na rede pública. A chefe do departamento de Ensino de 1º Grau da secretaria, Zélia Lopes Marochi, admitiu que o número de professores não atende a todas as escolas do Paraná, mas negou que haja doutrinação por parte dos voluntários.
Sempre adotamos uma política interconfessional com nossos professores, já que as escolas reúnem crianças adeptas de várias crenças diferentes, disse a professora. Apesar disto, estamos sempre correndo o risco de que haja alguma tendência nas aulas, admitiu.
Zélia explicou que enquanto a secretaria aguarda uma nova orientação do ministério a situação está sendo mantida e as aulas de ensino religioso não foram alteradas em relação ao ano passado. Ainda não sabemos qual será o procedimento da secretaria, caso o projeto apresentado pelo ministério não seja aprovado e o artigo da LDB seja mantido, confessou Zélia.
Na semana passada, a Câmara Municipal de Campo Mourão aprovou um voto de repúdio à Secretaria Estadual de Educação, acusando o Estado pela demissão dos professores de ensino religioso. O secretário Ramiro Wahrafitg lembrou que a questão é nacional e que a decisão não cabe ao governo estadual.
Atualmente, 695 mil alunos estão matriculados na rede pública de ensino, entre a 5ª e a 8ª série. Muitos destes alunos não estão tendo as aulas de ensino religioso por falta de profissionais adequados, disse ela. É preferível que eles não tenham aulas do que ministrá-las por pessoas não preparadas.


