Curitiba
O Paraná poderá não seguir a estratégia nacional de vacinar em massa contra o sarampo as crianças na faixa etária de seis meses a cinco anos de idade. Segundo a diretora de Vigilância e Pesquisa da Secretaria Estadual da Saúde, Mariângela Galvão, o Estado tem uma boa cobertura vacinal (95%) nessa faixa e estuda a melhor estratégia para ‘‘não desperdiçar vacinas’’. ‘‘É possível que utilizemos parte das vacinas para imunizar adultos em municípios onde a situação for preocupante’’, disse. Dos 105 casos de sarampo confirmados no Paraná, 60% atingem pessoas de 15 a 39 anos.
A definição de uma estratégia diferenciada de combate ao sarampo é cogitada porque não há vacinas suficientes para imunizar toda a população suscetível à doença. No final de agosto, com o crescimento do número de casos no Paraná, a secretaria consultou o Ministério da Saúde sobre a possibilidade de vacinar indiscriminadamente toda a população com até 40 anos de idade.
Segundo Mariângela, o ministério consultou todos os laboratórios produtores de vacina no mundo e constatou que não há estoque disponível para uma campanha dessa amplitude. Outra restrição seria o fato de que a adesão de adultos a campanhas de vacinação costuma ser baixa. Em Foz do Iguaçu - onde há 45 casos confirmados -, foi de 50%.
Por causa dessas restrições, a vacinação indiscriminada de adultos foi descartada por secretários de Saúde e pelo próprio ministério, durante uma reunião em Brasília, terça-feira. Ficou acertado que a vacinação em massa atingiria as crianças de seis meses a cinco anos. Os adultos seriam vacinados apenas quando tivessem contato com doentes.
‘‘A possibilidade de fazer esquemas diferentes foi aberta para estados com cobertura vacinal mínima de 95% (entre crianças), considerada a necessária para fazer o controle da doença’’, disse Mariângela. A estratégia deverá ser definida hoje, com a presença em Curitiba da presidente da Fundação Nacional de Saúde, Elisa Viana.
Mariângela disse também que, para a secretaria, o Paraná não vive uma epidemia de sarampo, ao contrário do que diz o Ministério da Saúde. ‘‘Temos surtos em alguns municípios e, dos 31 municípios onde a doença foi confirmada, 17 têm apenas um caso. A situação preocupa, mas está sob controle’’, afirmou.
A secretaria não tem uma projeção sobre o número de pessoas vulneráveis à doença no Paraná. Segundo Mariângela, é um cálculo difícil, porque inclui pelo menos três ‘‘classes’’ de pessoas: os 5% das crianças que deixam de ser vacinadas a cada ano; os 5% para os quais a vacina não funciona, já que a eficácia é de 95%; e os adultos jovens que não foram vacinados na infância e não tiveram a doença. ‘‘Só nos últimos cinco anos, o acumulado é de pelo menos 100 mil pessoas que, teoricamente, podem pegar sarampo’’, diz.

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