Secretaria de Educacao cancela férias
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sexta-feira, 09 de junho de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
A secretária de Educação, Alcyone Saliba, disse que as férias de julho serão cortadas do ano letivo por causa da greve dos professores. Ela admitiu que os diretores poderão manter a folga dos alunos, prevista entre os dias 17 e 23 do próximo mês, caso consigam formular um calendário alternativo. Feriados, sábados e pontos facultativos serão empregados para recuperar as aulas.
O décimo oitavo dia de paralisação geral foi marcado ontem pela internação do professor Endy Paulo Chaves, 46 anos. Ele e mais seis pessoas (três professores e três funcionários de escola) estão em greve de fome desde o dia 30 do mês passado na Casa do Jornalista, em Curitiba. Chaves está em observação no ambulatório do Hospital Nossa Senhora das Graças. Ele desmaiou por volta das 12 horas de ontem devido a uma queda na pressão sanguínea. Apesar de estar debilitado pela falta de alimento, o professor não corre risco de vida.
Duas manifestantes que foram hospitalizadas na quarta-feira voltaram à greve de fome no dia de ontem. Eles não tem a intenção de desistir do movimento. O Estado terá que responder antes em quanto e quando poderá atender as reivindicações dos professores, disse o diretor de finanças da APP-Sindicato (Associação dos Professores do Paraná), Sérgio Ubiratan.
No final da tarde de ontem, a Casa do Jornalista recebeu um visitante ilustre. O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, foi prestar solidariedade ao grupo que está sem comer há 11 dias. Lula cometeu uma gafe. Ao entrar no prédio, viu os grevistas deitados nos colchões e se virou para o presidente da APP-Sindicato, Romeu Gomes de Miranda, perguntando: E daí, o que viemos fazer aqui?. Lula não poderia alegar que desconhecia o assunto. Antes da visita, ele criticou numa entrevista coletiva o governador Jaime Lerner (PFL) por não abrir um canal de negociação com a categoria. Mesmo enfrentando um movimento semelhante, Lula lembrou que o governador petista Olívio Dutra, do Rio Grande do Sul, jamais se negou a receber os professores.
Nem Alcyone Saliba escapou de dar os seus deslizes na tarde de ontem. A secretária convocou uma entrevista coletiva à imprensa para falar de uma notícia que ela mesma divulgou na semana passada na proposta apresentada ao comando de greve. A secretária voltou a anunciar que cerca de 20 mil professores vão receber nas folhas de junho e julho reajustes médios que variam de 16% a 23%. Os benefícios são retroativos a 1999, quando a secretaria não pode pagar os valores referentes aos avanços diagonal e vertical. São programas que promovem professores com cursos de especialização, licenciaturas e bom desempenho.


