''Cada gestor municipal mostra como se importa com a administração da saúde da sua cidade da forma como achar melhor: participando dos debates ou passeando pelo hotel ou pela cidade.'' Foi com esta afirmação que a coordenadora do debate realizado na manhã de ontem, a secretária de Saúde de Cascavel, Lilimar Regina Nadolny, comentou a participação dos secretários nas palestras promovidas dentro do 20º Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Paraná. O evento acontece em Londrina desde terça-feira e termina hoje. Na abertura oficial do encontro, realizada na quarta-feira, o governador Roberto Requião assinou o projeto para repasse mensal de R$ 1 milhão para as prefeituras, destinado a investimentos no Programa Saúde da Família (PSF).
O debate coordenado por Lilimar tocava num dos assuntos mais utilizados por prefeituras de todo o Estado como propaganda da preocupação das administrações municipais com a saúde. Foram discutidos os avanços e falhas do PSF, cuja proposta é aproximar o atendimento médico da população. ''A baixa participação já tinha sido percebida na noite de ontem (quarta-feira). Depois que o governador assinou o repasse de verbas para as prefeituras, ele saiu do plenário e todo mundo foi atrás'', contou Lilimar.
Ontem pela manhã, durante a mesa redonda sobre o PSF, pouco mais da metade do plenário estava ocupado por secretários, estudantes e profissionais de saúde. No debate foram levantados os pontos positivos e negativos do programa. ''A abordagem e o atendimento mais próximo do cidadão é a principal vantagem desse projeto. Cada comunidade conta com uma equipe de atendimento, o que otimiza o serviço de saúde'', acredita Lilimar.
Por outro lado, o descompasso na implantação do projeto no Estado e a formação técnica dos profissionais envolvidos no programa são algumas das críticas levantadas pelos secretários no debate. ''O funcionamento do programa precisa ser uniforme no Estado. No entanto, o tipo de profissional que o PSF exige está em falta no mercado. Principalmente nos quadros de enfermagem, a formação tem sido muito técnica, pouco humanizada'', disse.
No dia seguinte à assinatura do repasse de verbas do Estado às prefeituras, a falta de recursos financeiros foi lembrada por alguns dos secretários presentes à palestra. Eduardo Sérgio Amaral, secretário de Cruzeiro do Iguaçu, destacou o alcance de 100% do PSF na cidade, mas lamentou a escassez de verbas para programas de saúde. ''Continua sendo o ponto falho no sistema estadual de saúde'', afirmou.
O diretor de Sistemas de Saúde da secretaria estadual, Gilberto Martin, considerou ''razoável'' a quantidade de recursos destinados pelo Estado à saúde desde 2003. ''O volume de verbas aumentou em R$ 180 milhões de 2002 para o ano passado. E mesmo o que foi executado pelo Estado superou o orçamento de 2003'', garantiu. Martin lembrou também da assinatura do projeto para o repasse de R$ 910 mil mensais para o PSF das prefeituras, oficializado anteontem, na abertura do congresso. ''Mas entendemos que quando se fala em recursos para a saúde, sempre se precisa de mais'', concluiu.

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