A Secretaria Estadual da Educação suspendeu ontem o repasse da contribuição sindical de professores e funcionários filiados ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato). Por determinação do secretário Ramiro Wahrhaftig, a entidade não vai receber os R$ 300 mil que seriam descontados em folha de pagamento de seus 43 mil associados. O secretário disse ter tomado a decisão atendendo pedido da bancada governista, que se sentiu prejudicada por causa de manifestações do sindicato.
Wahrhaftig alegou que o sindicato teria descumprido uma promessa ao se envolver politicamente na última eleição. Para o presidente da APP, Romeu Gomes de Miranda, a decisão foi autoritária e injusta. Por isso, a entidade deve, se não houver acordo com a secretaria, entrar com recurso judicial contra a medida. Esta é a segunda vez que o governo estadual suspende o repasse da contribuição sindical. A primeira foi em fevereiro.
Segundo o secretário, existia um acordo verbal entre a secretaria e a APP para que a entidade mantivesse neutralidade nas eleições. Mas como a APP promoveu uma manifestação no dia 30 de agosto e invadiu a Secretaria Estadual da Fazenda, no dia 28 de setembro, Wahrhaftig decidiu que o governo não faria de graça o recolhimento sindical. O secretário considera que as manifestações foram feitas em acordo com o senador Roberto Requião (PMDB), que se utilizou das imagens no horário eleitoral. ‘‘A APP que vá cobrar de seus associados por via de carnês ou por banco’’, disse Wahrhaftig.
Para o presidente da APP, Romeu Miranda, a decisão do secretário é incoerente, porque permite o desconto de agiotas em folha de pagamento e recusa-se a fazê-lo para o sindicato. ‘‘Na verdade, o secretário quer calar a boca da APP, que é contrária às mudanças do plano de cargos e salários’’, criticou. Segundo Miranda, o governo estadual quer enviar ‘‘goela abaixo’’ o Pladepe (Plano de Desenvolvimento de Pessoal), que, na avaliação do sindicato, seria prejudicial aos professores.
‘‘O governo não quer negociar o plano e tenta, através do corte da contribuição sindical, calar a boca de quem faz oposição’’, disse Miranda. (Colaborou Leandro Donatti)Arquivo FolhaO secretário Wahrhaftig alega que o sindicato teria descumprido promessa ao se envolver politicamente na eleição. ‘‘A APP que vá cobrar de seus associados’’Wahrhaftig não repassa
contribuição sindical
a pedido da bancada
do governo na Assembléia

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