A secretária municipal de Educação, Carmem Lúcia Baccaro Sposti, confirmou ontem que não sabia da colocação da cerca, e nem de sua eletrificação, na Escola Municipal Bento Munhoz da Rocha Neto, do Distrito de Lerroville (25 km ao sul de Londrina), onde no dia 12 deste mês morreu eletrocutado o estudante Victor Hugo Ferreira Silvestre, 15 anos. Carmem foi ouvida no início da tarde pelo delegado Algacir Ramos, do 6º Distrito Policial (DP), que investiga o caso.
Segundo a secretária, apenas a elevação do muro da escola havia sido autorizado. ''Tínhamos conhecimento dos atos de vandalismo que aconteciam com frequência. O diretor (Renilson Machado do Nascimento) havia solicitado a elevação, mas em nenhum momento foi falado sobre a colocação de arame.'' Sobre a sindicância aberta pela secretaria na semana passada, ela afirmou que o principal objetivo é apurar quem ligou o disjuntor que eletrificou a cerca. A comissão tem 30 dias para apresentar relatório.
Carmem declarou que o diretor da escola que estava de licença no dia da morte do garoto mas admitiu que deu a ordem a um funcionário para construir a cerca, e que tinha intenção de eletrificá-la futuramente continua afastado do cargo por ainda estar muito abalado. Ela disse ter convicção de que Nascimento não tinha noção do prejuízo que a cerca poderia causar. O diretor e o funcionário público municipal Carlito Norbero Murari, que fez a instalação, foram indiciados por homicídio culposo (sem intenção de matar).
Ao final do depoimento de Carmem, o delegado informou que não deverá ter mais indiciados no processo e que provavelmente ninguém mais será ouvido. ''Estou aguardando os laudos do Instituto de Criminalística para decidir se já vou relatar.'' Segundo Ramos, a expectativa é que os laudos de levantamento de local e de necrópsia fiquem prontos hoje.

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