Curitiba - Noventa e sete por cento da área verde do terreno invadido por cerca de 1,5 mil famílias de sem-teto, no bairro Cidade Industrial (CIC), em setembro, foram desmatados. Um relatório da Secretaria Municipal de Meio Ambiente levantou que na área, com 130 mil metros quadrados de área nativa, apenas algumas árvores continuam intactas.
Marciel Santos, morador da invasão que atualmente ocupa as calçadas da rua Theodoro Locker, admite que foram os invasores que cortaram as árvores para utilizar a madeira. ''Usamos apenas para fazer lenha. Mas, depois que fomos despejados, ainda sobrou muita madeira que já foi retirada daqui por caminhões'', diz.
Santos, acompanhado de outros moradores, afirma que, na época, chegaram a procurar o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para receber orientações sobre o corte da vegetação, mas não foram procurados durante o período que ficaram na área.
Os dois órgãos informaram não terem sido procurados pelos invasores e que não teriam competência para interferir no assunto, de esfera municipal. Um técnico do Ibama, que não quis se identificar, afirmou que a superintendência do instituto chegou a procurar a Secretaria Municipal de Meio Ambiente pedindo providências sobre o desmate observado no terreno.
A secretaria informou, através de sua assessoria de imprensa, que, em 17 de setembro, 11 dias após a ocupação pelos sem-teto, expediu uma multa de R$ 573 mil para a empresa proprietária do terreno por crime ambiental. Em seguida, o órgão pediu, com urgência, a abertura de inquérito pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e pelo Batalhão de Polícia Florestal (Força Verde).
No dia 24 do mesmo mês, outra multa, na ordem de R$ 61,5 mil cada, por crime ambiental foi aplicada a duas empresas que estavam levando material de construção para dentro do terreno.
A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente não quis dar esclarecimentos sobre o andamento do inquérito criminal, informando ser de responsabilidade da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). Procurada, a Sesp não retornou até o fechamento desta edição.

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