Para a Secretaria Estadual de Saúde os dois municípios vivem situações diferenciadas de outras cidades do Estado. Em Foz do Iguaçu, segundo a coordenadora de combate à dengue da Sesa, Themis Buchmann, muitos pacientes que procuram atendimento médico não são residentes da cidade. Das seis mortes registradas, duas foram de pessoas de fora do país. "Tivemos uma mulher argentina que foi atendida em um hospital particular e depois faleceu em casa e um paraguaio, que também foi internado em um hospital particular e morreu. Temos essa situação por conta a tríplice fronteira. O paciente vem de fora, mas entra na nossa estatística", disse a coordenadora. Ela informa que a Sesa tem auxiliado a Regional de Saúde de Foz com recursos financeiros, técnicos e entomológicos.
A situação em Paranaguá é mais complexa. A Saúde repassou quase R$ 4 milhões para o combate ao mosquito e o Porto de Paranaguá fez o aporte de mais de R$ 4 milhões. A cidade, que até dois anos atrás não tinha casos de dengue, se viu em pouco tempo em situação de epidemia. A explicação da explosão da incidência de mosquito tem a ver com uma mudança na dinâmica ambiental.
A região, segundo Themis, registra a incidência de dois tipos de mosquitos da família Aedes: o albopictus, que prefere viver em áreas de floresta, e aegypti, que vivem área urbana. Os dois competiam por território na área urbana. Mas em 2012, quando houve uma grande enxurrada que devastou uma área de floresta e matou os mosquitos e seus ovos, abriu-se espaço para os albopictus que estavam na cidade voltarem para o espaço silvestre e deixou livre o território para o aegypti se proliferar.
"A Prefeitura vinha executando ações de uma cidade sem infestação quando percebeu o domínio do mosquito. E demanda tempo para que as ações de controle façam efeito e daí o município já estava em epidemia e com óbito", comentou.
A coordenadora informou que a Sesa e a 1ª Regional de Saúde de Paranaguá estão fazendo um trabalho intensivo de capacitação dos profissionais de saúde, tanto para o combate ao mosquito como para o atendimento dos pacientes. "Capacitamos médicos para que todos os turnos das unidades de saúde fossem cobertos".
Mas para vencer a guerra contra o mosquito em Paranaguá, Themis enfatiza a importância da Prefeitura e a população fazerem a sua parte.

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