O Sindicato de Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis (Secovi) avaliou há cerca de dois meses a propriedade rural conhecida como Mirante do Eldorado, pertencente à Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-LD), em R$ 19.142,00 o alqueire. O valor é quatro vezes menor do que os R$ 90 mil pagos por alqueire, em negócio fechado há cerca de 90 dias de uma área situada a quatro quilômetros do Mirante. O preço definido pelo Secovi se aproxima mais ao pretendido pela Cohab, de R$ 30 mil o alqueire.
Participaram da avaliação sete donos de imobiliárias filiadas ao sindicato, no pregão imobiliário que a entidade promove frequentemente. Mas a coordenadora do Secovi, Roseli Casasanta, afirmou que a Cohab apresentou poucas informações sobre o imóvel. A área rural, que engloba 46 alqueires, terá 30 colocados à venda por licitação, cujo edital deve ser publicado ainda neste mês. Roseli explicou que a avaliação, feita sem nenhum custo pelo sindicato, necessita de todos os dados a respeito do imóvel para estar mais próximo possível do valor real.
O departamento de patrimônio da prefeitura avaliou o Mirante em cerca de R$ 20 mil o alqueire. Para se chegar ao preço foram levados em consideração todos os custos necessários (asfalto, galerias pluviais, água encanada e energia) para se construir no terreno. O técnico avaliador, José Luis Bugliani, afirmou que terrenos comercializados por perto podem apresentar alterações de preço, tendo em vista as facilidades de infra-estrutura próximas.
Segundo a Cohab, um loteamento popular no Mirante do Eldorado seria inviável, principalmente em função dos custos de pavimentação do trecho de dois quilômetros entre a Avenida Saul Elkind e a entrada da área. Uma empresa de construção, a pedido da Folha, estimou que o asfalto, meio-fio e galerias pluviais numa pista simples de nove metros de largura, destinada a tráfego pesado, da Avenida Saul Elkind até o começo do Mirante, custariam cerca de R$ 260,00 para cada dono de terreno. O diretor da Cohab disse que os 30 alqueires poderiam ser divididos em 1.800 terrenos, descontado o arruamento.
Conforme o diretor-presidente da Cohab, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, a avaliação prévia não implica necessariamente no preço real da comercialização. Ele disse que a estimativa vai nortear o ''leilão'' da negociação, podendo ser obtido um preço acima ou abaixo do esperado.
O prefeito Nedson Micheleti (PT) não quis se pronunciar sobre a situação atual e a intenção de venda do Mirante do Eldorado.

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