Vânia Moreira
Enviada a Guaíra
Partes das Sete Quedas do Rio Paraná em Guaíra (115 km a sudoeste de Umuarama) reapareceram depois de quase 20 anos submersas pelo Lago de Itaipu e estão encantando moradores e visitantes da cidade. O lago está 4 metros abaixo do nível normal e deixou à vista a cabeceira do Salto 14 e alguns trechos do antigo Parque Nacional de Sete Quedas.
Autoridades e ambientalistas de Guaíra querem que a Itaipu mantenha o nível do lago baixo para resgatar um pouco dos belos saltos submersos em 1982 com a construção da hidrelétrica. ‘‘O que está aparecendo já foi suficiente para atrair um número maior de turistas à Guaíra. Imagine se a água baixasse mais alguns metros’’, diz o administrador José Carlos Luiz, 50 anos, que mora em Guaíra há 30 anos.
O lago está baixo por causa da seca e porque a Itaipu aumentou a vazão no vertedouro para gerar mais energia. Para os moradores de Guaíra, a hidrelétrica poderia manter o lago com nível mais baixo para que os vestígios das Sete Quedas continuassem à vista. Até hoje a população não se conforma com a perda dos saltos que sustentavam o turismo e a economia local.
O secretário de Turismo de Guaíra, Pedro Venâncio, diz que bastaria reduzir 10 metros o nível do lago para recuperar totalmente os saltos. ‘‘Queremos criar um movimento para tentar convencer a Itaipu a devolver à humanidade essa maravilha da natureza.’’
Todos os dias, quase 2 mil pessoas vão ao local para rever ou conhecer parte do cenário das Sete Quedas que estava ‘‘escondido’’ há 18 anos. Com o nível da água baixo, surgiu uma corredeira no leito do rio, formada pelas pedras mais altas do Salto 14. Também é possível caminhar pela antiga trilha de acesso aos saltos. As pedreiras da trilha na margem do rio e mais de 500 metros de asfalto da antiga rodovia de acesso aos saltos que estavam embaixo da água também reapareceram.
O Exército liberou a estrada asfaltada dentro da reserva para os visitantes. Depois da formação do lago, a reserva virou área militar e passou a ter o acesso restrito.
Segundo a Assessoria de Comunicação Social da Itaipu Binacional, o lago já atingiu o nível máximo de rebaixamento. Como está chovendo em São Paulo e Minas Gerais, os lagos das outras usinas ao longo dos rios Paraná e Paranapanema estão enchendo gradativamente. Com isso, logo começarão a soltar um volume maior de água, que também vai encher o Lago de Itaipu.
De acordo com a assessoria, a Itaipu não tem controle sobre o nível do lago. Opera seguindo instruções do Operador Nacional do Sistema, órgão ligado à Eletrobras. Aumenta-se ou diminui a produção de energia conforme a necessidade.
A Itaipu está produzindo 12% a mais de energia – 1.200 megawatts por hora – para suprir as outras hidrelétricas que estavam com os lagos vazios. A previsão é de que até a semana que vem, a situação se normalize.