Seca e suja, nascente do Cambezinho agoniza
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quinta-feira, 27 de novembro de 2003
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Baixo volume de água, mau cheiro e uma quantidade de lixo capaz de impressionar qualquer cidadão ciente de que objetos como lixeiras, quando existem, não se tratam de mera decoração. Atualmente, essa é a situação do Ribeirão Cambezinho formador do Lago Igapó, cartão postal de Londrina , cuja nascente está praticamente seca há quase dois meses. A afirmação é do presidente da Organização Não-Governamental (Ong) Patrulha das Águas, João Batista, também assessor do Núcleo de Recursos Hídricos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema).
De acordo com Batista, o rebaixamento do lençol freático da nascente não é causado só pela estiagem que afetou o Estado nos últimos meses apenas amenizada pelas recentes chuvas , mas também por questões tão complexas quanto a mudança climática. ''Não há um controle dos poços artesianos que têm sido construídos, assim como da impermeabilização do solo cada vez mais comum no município'', justificou. Com a queda no volume de água, explica, aumenta nela a concentração de poluentes.
A população que mora próxima à nascente praticamente desconhece o baixo nível em que se encontra a bacia hoje. Outros detalhes, porém, não passam despercebidos. ''O mau cheiro aqui anda terrível. Até evito passar a pé por onde corre o Ribeirão, mas ultimamente até dentro do carro é possível sentir'', conta a dona de casa Neide Aparecida Silva, de 45 anos, moradora do Jardim São Francisco de Assis (Zona Oeste). Não muito longe dali, no Jardim Ana Eliza 1, em Cambé, a também dona de casa Isabel Gomes Ferreira, 38, da mesma forma não tem muitos elogios para a situação do Cambezinho. ''Como se não bastasse o cheiro ruim do lixo das empresas, ainda atrai uma infinidade de pernilongos'', queixou-se.
O chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Ney Paulo, disse desconhecer alguma denúncia quanto ao real estado do ribeirão. ''Teria que analisar o caso para ver se a seca influencia mesmo'', disse, revelando que o que o preocupa atualmente é o baixo nível do Rio Tibagi, que, além de ser o principal fornecedor de água para Londrina, ainda desemboca no Paranapanema para abastecer a hidrelétrica de Primeiro de Maio (61 km ao norte de Londrina) a qual, por sinal, fornece energia para a cidade e as de outros Estados. ''Há 15 dias passei de barco por lá e até a hélice do veículo raspou o leito, de tão baixo. Nunca vi o rio tão seco assim: 20 metros!'', assustou-se.
Quanto ao Cambezinho, Ney Paulo discorda da hipótese levantada por Batista em relação aos poços artesianos. ''As nascentes estão em locais altos, o contrário dos poços'', rebateu. Já sobre a impermeabilização do solo no município, ele reconhece que existe aí um problema. ''Como são poucas áreas verdes, quando chove a sujeira do Centro se acumula nas galerias pluviais e chega até o Igapó'', admitiu, frisando que a fiscalização pelo IAP, em função da alta demanda de outros locais, só deve ser intensificada no próximo ano.


