Sid Sauer
De Campo Mourão
A estiagem que há vários meses atinge a região de Campo Mourão já está comprometendo a reprodução de peixes no reservatório de água da Usina Mourão I, o Lago Azul. O reservatório está cinco metros abaixo do nível normal, um recorde segundo a própria Copel. O resultado é o ‘‘sumiço’’ do lago em vários trechos, onde restam agora os leitos dos rios Mourão, Sem Passo e seus afluentes, que formam o reservatório.
‘‘O impacto ambiental na reprodução dos peixes é grande’’, diz o chefe do escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Paulo Tanahaki. Ele lembra que está começando o período da piracema e que o esvaziamento do lago torna mais fácil a ação de predadores naturais e da própria ação do homem contra os peixes. ‘‘Muitos peixes ficam em poços e desovam, comprometendo a reprodução’’, explicou.
A maior preocupação do IAP, no entanto, é com a ação do homem. ‘‘Alguns pescadores aproveitam que os peixes estão subindo o rio para a piracema e colocam rede no canal que restou do lago’’, disse Tanahaki. ‘‘Teremos que fazer uma fiscalização constante no local’’. Segundo ele, o IAP tem recebido várias reclamações de moradores da região do reservatório contra o esvaziamento. ‘‘Mas não há o que fazer além de se esperar a chuva.’’
O chefe do IAP de Campo Mourão afirma, porém, que é possível adotar medidas para se contornar o problema a longo prazo. ‘‘É preciso plantar a mata ciliar e a reserva legal’’, frisa. Esse trabalho vem sendo feito nos últimos anos juntamente com o Ministério Público, mas só agora as primeiras áreas vêm sendo recuperadas. Os proprietários às margens dos rios Mourão e Sem Passo foram os primeiros acionados pelo MP, em 1995, para refazer o plantio.
‘‘Se houvesse a mata ciliar, muitas minas que ajudam a abastecer o lago não teriam secado’’, exemplifica Tanahaki. Ele lembra também que quando a Usina Mourão foi inaugurada em 1964, mesmo com as três turbinas funcionando a todo vapor, não havia falta de água. Hoje, segundo a Copel, apenas uma das três turbinas está em operação, com apenas 30% de sua capacidade já há dois meses.
‘‘Se as três turbinas entrarem em operação, o lago desaparece em 15 dias’’, conta um funcionário da Copel. Pela experiência de quem trabalha na Usina Mourão e de quem mora nas margens do lago, será preciso pelo menos um mês de chuvas intensas para o nível do reservatório voltar ao normal. ‘‘Os afluentes estão muito fracos’’, diz o técnico do IAP Rubens Lei Pereira Souza, que trabalha no Parque Estadual Lago Azul.
Com a seca e o lago esvaziado, Souza percorre praticamente todos os mais de 20 quilômetros de extensão do reservatório, entre Campo Mourão e Luiziana, de carro. O mesmo trajeto, em situação normal, só pode ser feito de barco. Em vários pontos do lago, por exemplo, está sendo possível ver velhas árvores que estavam encobertas pelas águas há mais de 30 anos.Reservatório de usina em Campo Mourão atinge os níveis mais baixos da história; Copel só está usando uma das três turbinas
Sid SauerCENÁRIO DESOLADORRubens Lei Pereira Souza mostra o que restou do lago, após quatro meses de estiagem na região; árvores que permaneceram encobertas pelas águas do lago por mais de 30 anos agora são visíveis

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