Sebo entrega lote de livros permutados
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Lucília Okamura 
Londrina
O comerciante Marcos Aparecido Revolti, de Maringá, entregou ontem ao promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, um lote de 12 livros doados para a Biblioteca Pública de Londrina e adquiridos na livraria da Cidade, a Lido. O comerciante possui um sebo (local para venda de livros usados) e diz que tomou a iniciativa de entregar o lote depois das denúncias de irregularidades na permuta de livros da bibilioteca com o estabelecimento.
O Ministério Público investiga as irregularidades, denunciadas no início deste mês pelo professor Carlos Okawati. Exemplares doados para a Biblioteca Pública Municipal e para a Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina (UEL) estariam sendo comercializados mas ivrarias da Cidade.
Marcos Revolti contou ao promotor que adquiriu um lote de 1.300 livros para o sebo, sendo que 12 deles estavam com o carimbo da biblioteca - um dos exemplares, inclusive, aparece com o carimbo da doação feita por Carlos Okawati. Segundo Bruno Galatti, o comerciante questionou a livraria Lido sobre o carimbo, mas teria obtido a resposta de que tudo estava dentro da legalidade.
O promotor esclarece que, se for constatada a irregularidade no procedimento feito entre a biblioteca e a livraria, os exemplares serão devolvidos à biblioteca. Bruno Galatti observa que o comerciante de Maringá não está envolvido no caso. A promotoria pretende instaurar sindicância para apurar o caso e, se for comprovada a irregularidade, os responsáveis serão punidos.
A secretaria Municipal de Cultura irá convocar, para a primeira quinzena de novembro, uma reunião com o Conselho Municipal de Cultura. A informação é da secretária Angela Marçal, que recebeu, anteontem, documento assinado por 12 dos 18 conselheiros, solicitando a realização urgente de uma reunião para discutir o caso da permuta irregular de livros.
Os conselheiros se queixam que não foram comunicados sobre o problema da permuta irregular de livros e que a secretária não convoca reuniões da entidade desde maio. Segundo lei municipal, as reuniões devem ser mensais. Eles solicitam uma reunião no prazo máximo de 48 horas.
Angela Marçal diz que, antes de saber do documento dos conselheiros, já havia tomado a iniciativa de realizar uma reunião para o próximo mês, na qual pretende fazer um balanço das atividades deste ano e falar das metas para 1998. Eu já tinha conhecimento do abaixo-assinado e esperava que os conselheiros me procurassem antes de procurar a imprensa, afirma. Ela diz que não pretende convocar uma reunião urgente, como os conselheiros querem.
Sobre as reuniões, Angela Marçal diz que nos três primeiros meses foram realizados encontros. Mas as reuniões estavam tumultuadas e não seguiam a pauta.
A suspensão das reuniões aconteceu, afirma ela, inclusive para que a situação se acalmasse. Do jeito que estava não dava para continuar, ressalta Angela Marçal. Por outro lado, a secretaria procurou produzir, que é a nossa função.


