Seab investiga uso de herbicida proibido
Alexandre Sanches
De Londrina
O escritório regional da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), de Jacarezinho, está investigando a origem de um tipo de herbicida que está sendo utilizado irregularmente em culturas de trigo e que teria entrado no Brasil de forma clandestina. O herbicida Flash, produzido na China e embalado no Paraguai, é similar ao de uma multinacional autorizada pelo Ministério da Agricultura, mas não segue os padrões adotados pelo Brasil.
De acordo com o engenheiro agrônomo da Defesa Sanitária Vegetal da Seab, Mário Roberto Ferri, este produto é proibido no Brasil. Não existem registros a respeito deste produto. O Ministério da Agricultura não autorizou o uso deste agrotóxico e nem sabemos se o princípio ativo, descrito na embalagem, é este mesmo e nem os seus efeitos sobre o meio ambiente, comentou. Ferri encontrou uma embalagem de 10 gramas jogada num abastecedouro comunitário em Barra do Jacaré (47 km a oeste de Jacarezinho).
Não recebemos nenhuma denúncia formal até agora e nem a multinacional que está sendo lesada se manifestou. Mas, diante da evidência de uso irregular na região, estamos investigando quais agricultores estão usando este defensivo, informou Ferri. Por causa do tamanho do pacote (10 gramas) é muito fácil trazer o produto do Paraguai sem ser detectado. Um pacote, diluído em água, é suficiente para irrigar 5 alqueires de lavoura.
Os pacotes do herbicida Flash, além de não trazer informações suficientes sobre o produto, conforme determina o Ministério da Agricultura, vêm com as instruções em espanhol. De acordo com a Seab, os agricultores que forem flagrados utilizando produtos não especificados pelo ministério poderão ter sua lavoura embargada e até destruída, além de pagar multas. Não sabemos quais os efeitos no meio ambiente e, muito menos, os efeitos sobre o organismo humano após o consumo dos frutos destas lavouras, ressaltou o agrônomo.
O agrônomo revela que é difícil flagrar os agricultores usando o herbicida porque eles, além de não falar a verdade caso estejam usando o veneno, destroem os pacotes para não deixar pistas.
As revendas de produtos agropecuários da região também estão sob fiscalização. Se algum estabelecimento for flagrado revendendo o produto, corre o risco de ser fechado e o agrônomo responsável ser autuado e multado. O contrabando deste herbicida parece ser atrativo para o agricultor porque custa menos da metade do preço de um herbicida legalizado, ressaltou o agrônomo. A Seab ainda não tem informações sobre a extensão de utilização do produto, mas promete agir com mais rigor nas fiscalizações.
A Cooperativa Regional Mista Agrícola de Cambará (Coopramil) também recebeu denúncias de que este produto estava sendo utilizado de forma errada por agricultores da região. Em parceria com a Seab, a cooperativa está realizando várias reuniões com cooperados, revendedores de produtos agronômicos e engenheiros agrônomos para alertar sobre o perigo de utilizar um produto não autorizado no Brasil.





