'Se um morreu, a gente faz outro com ele'
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Em outubro de 1988, o primeiro pinheiro de proveta do mundo foi plantado no Parque Cachoeira, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. Dezoito anos depois, um vendaval derrubou a árvore, deixando apenas um pedaço do tronco para contar história. Mas ontem, Dia da Árvore, duas novas mudas da espécie angustifolia foram plantadas a poucos metros dali. Com um detalhe: os exemplares foram obtidos a partir do pólen do pinheiro derrubado em 2006. ''Se um morreu, a gente faz outro com ele'', brincou Flávio Zanette, professor do Setor de Ciências Agrárias (SCA) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pioneiro nas pesquisas com araucárias. Foi ele quem plantou a muda de proveta, há 21 anos.
O evento, que contou com a presença do prefeito local, Albanor Zezé Gomes, também se estendeu ao campus do SCA, em Curitiba, onde outras mudas foram plantadas ao longo do dia. Antes do plantio no Parque Cachoeira, Zanette deu uma palestra sobre as técnicas desenvolvidas nos laboratórios da universidade - da polinização dirigida ao cruzamento controlado, passando por vários tipos de enxerto.
O professor ainda ressaltou os valores nutritivos do pinhão e, consequentemente, seu potencial econômico. Segundo ele, o fruto ''é melhor do que o arroz''. Tem 55% de amido, 5% de proteíndas e é rico em ferro o suficiente para contribuir na prevenção contra o câncer. Sem contar o fato de que uma única árvore pode dar cem quilos de pinhão por ano.
''Não estou falando aqui de ecologia, de consciência ambiental. Quero provar que a araucária também é economicamente viável. E sustentável, porque mantém a árvore de pé, ao contrário da exploração de madeira'', disse.
Nesse sentido, Zanette ainda fez um alerta às autoridades. ''Se depender do investimento em preservação que é feito hoje, daqui a 400 anos nossos historiadores vão ter trabalho para entender porque o nome Curitiba vem da expressão indígena 'Core-etuba', que quer dizer muito pinhão''.


