'Se tivesse emprego não ia ficar na rua'
Atravessando a rua dos trabalhadores informais com alvará de licença, encontramos os que foram empurrados para a atividade pela falta de oferta de emprego - o perfil menos idealista da profissão.
Para estes, como Everton Antônio Silva, a informalidade revela ainda a exploração do trabalhador. O rapaz afirma que os óculos que vende são para uma segunda pessoa, rebendo comissão, que ao final do dia soma cerca de R$ 15,00.
Silva não quis dizer se outros ambulantes trabalham para a mesma pessoa, mas pelas ruas se multiplicam vendedores não só de óculos mas de carteiras, cintos e redes e que estariam vendendo produtos por pequenas comissões. Com o que ganha, Silva terá que sustentar, além de uma filha que já tem, os gêmeos que devem nascer em julho.
Motorista por 15 anos, Luiz Carlos Rodrigues, 52 anos, soltou as mãos do volante para apresentar a eficácia de um desentupidor de pia aos pedestres que circulam pelo Calçadão.
Pai de quatro filhos, sendo dois menores de idade, Rodrigues está parado na esquina do desemprego há quatro anos e só tem críticas para fazer:
''Do governo eu não espero nada. O que atrapalha o nosso trabalho de ambulante são esses camelôs de fora, que saltam de caminhão na cidade. Se tivesse emprego não ia ficar na rua. Já os fiscais chegam aqui, levam tudo. Só não levam a mulher da gente porque ela fica em casa'', ironiza.
Ambulante a mais de 30 anos, seo Sebastião Antonio Graciano, 64 anos, exibe o seu alvará de licença e diz que criou sete filhos com a venda de frutas. Faça chuva ou sol, Graciano empurra todos os dias o carrinho de sua casa no Jardim Califórnia (Zona Leste) até a Avenida Winston Churchil (Zona Norte).
''Para nós é difícil ganhar dinheiro. Por dia consigo só uns 10 contos. Aí gasta comprando as coisas para casa ou pegar ônibus'', lamenta o vendedor, que tem ponto fixo numa fábrica, onde os fregueses alimentam a certeza de que qualquer coisa, é só voltar que ele troca. (F.L.)





