Durante três anos, Cristina (nome fictício), de 51 anos, foi agredida pelo companheiro. Ao contrário de muitas mulheres, a ex-bancária não dependia financeiramente dele, mas não conseguia se separar, em função das inúmeras ameaças e do fato de gostar dele. As agressões aconteciam sempre que o companheiro bebia. Chutes, socos e pontapés eram comuns durante as inacabáveis surras. ''Ele me deixava marcada. Sempre fui agredida e nunca contei para ninguém por medo dele'', revela.
As agressões não se limitavam a ela. A mãe e o filho também começaram a ser ameaçados. ''Ele já me ameaçou, a minha mãe e agora ameaça meu filho. Sei que ele não está na cidade, mas tenho medo que ele volte''. Foi quando Cristina contou o problema para a família e, junto do filho, de 27 anos, buscou proteção.
A Delegacia da Mulher foi o destino, em abril deste ano. A denúncia, com base a Lei Maria da Penha, deixou a mulher mais segura. A demora em denunciar as agressões aconteceu em função de Cristina acreditar que conseguiria mudar o companheiro. ''Achava que ele poderia melhorar, ser uma pessoa boa. Gostava dele e isso era ainda mais difícil. Mas não tive o respeito, o companheirismo. Fui traída, agredida e agora quero me levantar'', garante.
Cristina continua sendo ameaçada pelo ex-companheiro, que mora fora. ''Hoje mesmo (ontem pela manhã) ele ligou dizendo que eu vou chorar em cima de um caixão. É ameaça para o meu filho e tenho muito medo.'' Apesar disso, aos poucos, Cristina vai retomando a vida. Voltou a estudar e hoje tem o apoio da família e dos amigos. ''Não é uma situação fácil, mas sei que vou conseguir. Estou aliviada e sei que a lei me protege. Se tivesse denunciado antes, ele já estaria preso. Quero que outras mulheres, que passaram ou passam pela mesma situação que eu, tenham a mesma coragem para denunciar.''

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