No Morro do Carrapato (Zona Leste), galinhas correm de um barraco ao outro o dia inteiro e vira e mexe um morador come a galinha do outro. Já teve até quem ficou sem botijão de gás e precisou improvisar um fogão a lenha. É o caso da dona de casa Alexandra Aparecida Germinari, que divide um barraco com o marido e os seis filhos, com idades entre 1 e 14 anos.
Sem renda fixa - o marido trabalha como reciclador -, não é todo dia que a dona de casa tem comida no prato. ''Mas o vizinho ajuda'', contou Alexandra, que às vezes não pode cozinhar por falta de tempero para o arroz e feijão. ''Aí tem que esperar entrar algum dinheiro para comprar alho e sal.''
Em decorrência da alimentação precária, ela precisou desmamar a bebê e de vez em quando se depara com os filhos reclamando de fome: ''Se tem farinha, faço um bolinho para enganar''. E como ninguém na família tem documentos, Alexandra não consegue sequer ajuda do governo. ''Tem dia que não tem dinheiro e sem dinheiro a gente não come.''(M.G.)

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